Foto: casa “modernista”, idealizada por Flávio de Carvalho - crédito CCLA / divulgaçao

Foto: casa “modernista”, idealizada por Flávio de Carvalho – crédito CCLA / divulgação
Nesta sexta-feira, dia 15, às 19h30, o Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA) em Campinas recebe uma palestra gratuita com o professor Antônio Stopiglia, conhecido como Tite. O evento aborda a vida e a obra de Flávio de Carvalho, um dos personagens mais polêmicos e inovadores da arquitetura e arte moderna brasileira, que viveu em Valinhos e cuja memória e legado enfrentam desafios de conservação e reconhecimento.
Engenheiro, arquiteto, artista plástico, escritor e ensaísta, Flávio de Carvalho provocou a sociedade de seu tempo com ideias arrojadas. A palestra de Stopiglia, que foi Secretário de Cultura de Valinhos, pretende debater a situação atual da obra e propor soluções para o resgate do legado do artista, em especial a célebre Casa Modernista da Fazenda Capuava, que se encontra em estado de abandono.
👉 Mais cultura? Acesse nossa programação cultural.
Flávio de Carvalho nasceu em Amparo da Barra Mansa (RJ) e viveu em Valinhos de 1938 até sua morte em 1973. Na cidade, construiu a Fazenda Capuava, propriedade de seus pais que se tornou a Casa Modernista, um marco da arquitetura no Brasil. Tombado pelo Condephaat em 1982, a família herdeira foi alvo de críticas pela falta de conservação e abandono.
Stopiglia relata que, no final da década de 80, uma desapropriação de parte da fazenda para a construção de um bairro residencial foi lesiva tanto para a família, que não foi indenizada, quanto para o município, que herdou a dívida e os custos de infraestrutura. Outras glebas da fazenda também foram vendidas sem a devida preocupação com a recuperação da Casa Modernista.
Apesar de duas intervenções do Condephaat com reformas, a casa continuou em ruínas, com o teto do grande salão desabando duas vezes, já que o imóvel nunca foi destinado à utilidade pública. Há um aceno recente de um investimento de R$ 2 milhões para a recuperação da casa, mas sua destinação ainda não foi definida.
O professor destaca que a memória de Flávio de Carvalho teve a melhor atenção em Valinhos durante os períodos de 1983 a 1988 e 1997 a 2004, quando a Secretaria da Cultura criou as Semanas de Flávio de Carvalho, exposições, happenings, desfiles e até mesmo a transferência da biblioteca do artista para a Unicamp.
Atualmente, Valinhos mantém uma rodovia e uma escola com o nome do artista, que também recebeu o título de Cidadão Honorário da Câmara Municipal. A palestra de Stopiglia busca não apenas informar, mas também propor um debate sobre como resgatar sua obra que, apesar de sua importância, corre o risco de ser esquecido.
Newsletter:
© 2010-2026 Todos os direitos reservados - por Ideia74