Foto – crédito: Sammi Landweer/divulgação
Pela primeira vez, a abertura da Bienal Sesc de Dança será com um espetáculo brasileiro: “Encantado”, vencedor do prêmio APCA de Dança na categoria coreografia/criação, da Lia Rodrigues (em) Companhia de Danças, do Rio de Janeiro, que estará no palco do Galpão do Sesc Campinas nesta quinta-feira, dia 14 de setembro de 2023, às 20h, com ingressos já esgotados. Haverá uma outra apresentação no sábado, dia 16, às 21h30.
A palavra encantado, do latim incantatus, designa algo que é ou foi objeto de encantamento ou de feitiço mágico. É, também, sinônimo de maravilhado, deslumbrado ou fascinado, além de ser uma expressão de cumprimento social. No Brasil, o termo tem, ainda, outros sentidos: se refere às entidades que pertencem a modos afro-ameríndios de percepção de mundo. Os encantados, animados por forças desconhecidas, transitam entre o céu e a terra, nas selvas, nas pedras, em águas doces e salgadas, nas dunas e nas plantas, transformando-os em locais sagrados.
Partindo de cosmogonias indígenas e africanas, a diretora Lia Rodrigues orquestra em cena corpos que se acoplam em arranjos variados na busca pelo coletivo. Embolando-se entre si e em cobertores, vestes e tecidos estampados, os intérpretes-criadores vasculham possibilidades de encantar o que os cerca – imagens, danças e paisagens – e transformá-lo em seus corpos e ideias, refletindo formas de ir ao encontro dos seres viventes em toda a sua diversidade.
O espetáculo, trabalho mais recente da Companhia de Danças, estreou em 2021 no Festival d’Automne de Paris, fazendo temporada em dois teatros da capital francesa, o Teatro Nacional de Chaillot e o Le 104, dos quais a coreógrafa é artista associada. No Brasil, a montagem foi apresentada pela primeira vez no Sesc Pinheiros, no ano seguinte. A produção surgiu no contexto da crise sanitária provocada pela pandemia de Covid-19 e nasceu do desejo de usar a magia e a encantação como guias para conduzir o processo criativo durante esse período dramático.
Lia Rodrigues é artista associada do Théâtre National de Chaillot e do Le 104, ambos em Paris. Ganhou do governo francês a medalha de Chevalier des Arts et Lettre e recebeu o prêmio da Fundação Prince Claus, da Holanda, por seu trabalho artístico e social. Também foi agraciada, entre outras premiações, com o AFIELD Fellowship, por sua iniciativa no Centro de Artes da Maré.
A produção de Lia Rodrigues Companhia de Danças tem apoio da instituição Redes da Maré, da Campanha “A Maré diz não ao Coronavírus – Projeto Conexão Saúde” e do Centro de Artes da Maré.
Newsletter:
© 2010-2026 Todos os direitos reservados - por Ideia74