Foto - crédito: Dalton Yatabe, divulgação
Campinas recebe a temporada de estreia do espetáculo circense solo “A Travessada”, estrelado pela atriz e palhaça Cachú, da Companhia do Bagaço. A apresentação aborda, de forma bem-humorada e crítica, o dilema de um artista circense diante do fim do mundo, explorando os caminhos da teimosia e da esperança. O espetáculo, contemplado pelo Plano Nacional Aldir Blanc (PNAB), terá sessões nos dias 8 de maio, às 17h, no Lume Teatro em Barão Geraldo, e 16 de maio, também às 17h, na Sala dos Toninhos, localizada na Estação Cultura. A entrada para ambas as apresentações é gratuita.
A peça se inspira em trechos do livro “A Cidade Inexistente”, de José Resende Júnior, e mergulha na jornada do Palhaço Luluzin, proprietário do decadente Gran Circo Lublin, que faz graça de sua própria desgraça enquanto busca uma maneira de transpor uma grande represa. A encenação utiliza virtuosismos circenses, palhaçaria, gags, claques e comicidade física, reinventando quadros clássicos do circo de forma cômica e com manipulação de objetos, sustentando a estética circense com humor.
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Sob a direção de Gabriela Ramos e com trilha sonora original de Marcelo Onofri, o espetáculo foi desenvolvido a partir de trechos do livro “A Cidade Inexistente” e busca explorar a capacidade de transformar o desaparecimento de uma cidade em um mosaico de memórias, lendas e fantasmas. A diretora destaca que a obra literária, publicada em 2000, trata de uma cidadezinha interiorana esvaziada e submersa pela construção de uma hidrelétrica, e a peça se alimenta dessa força poética para construir sua narrativa cômica e crítica.
Em “A Travessada”, o público acompanha os passos e tropeços do Palhaço Luluzin, que se encontra em uma situação semelhante à de uma “cidadezinha do interior esvaziada e submersa”. O circo itinerante, parado diante da represa, torna-se uma metáfora da própria arte: insistente, resiliente e capaz de reinventar mundos mesmo quando o caminho parece bloqueado. Essa ambiguidade entre o que desaparece e o que permanece inspira a criação de uma dramaturgia que se alimenta do riso e da fabulação.
A trilha sonora de Marcelo Onofri, com participação de Edu Guimarães (Sanfona) e Gabriel Peregrino (Percussão), desempenha um papel crucial na condução do ritmo e na criação de tensões no espetáculo. Em diálogo com a atriz, a sonoridade fortalece os momentos cômicos, fantásticos e densos, construindo e, por vezes, contrapondo-se à dramaturgia falada.
Cachú, que também assina a dramaturgia do solo, ressalta que o riso e o encantamento são formas de resistência e sobrevivência diante das adversidades. O espetáculo convida o público a refletir sobre como a arte, assim como o palhaço, desdobra-se em mil tarefas para continuar existindo, e como essa persistência é uma metáfora da vida. Mesmo em meio às travessias mais difíceis, sempre há espaço para rir, imaginar e reinventar novos caminhos.
Mais informações: @cia.dobagaco
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