Foto - crédito: Bruno Cardoso, divulgação
O espetáculo solo “Para as Prostitutas da Minha Infância – As Cartas que Nunca Escrevi”, criado, escrito e interpretado por Douglas Chaves, marca um momento significativo na carreira do artista e celebra os 20 anos da companhia Corpo Santo Teatro. Integrando a programação do CIS Guanabara, a obra investiga memória, infância, desejo, culpa e a construção de identidade, a partir de um livro homônimo concebido simultaneamente à peça. O espetáculo estreia em 13 de março, com temporada nos dias 14, 21 e 28 de março. Os ingressos podem ser adquiridos exclusivamente pelo Sympla.
Douglas Chaves assume em cena o papel de narrador-investigador de suas próprias memórias, utilizando a ideia de uma caixa de cartas recebida como ponto de partida para construir um percurso que entrelaça verdade e fabulação. As cartas, organizadas por cores, nomes e silêncios, transformam-se em material dramatúrgico e dispositivo cênico. O foco não reside na comprovação literal da memória, mas na reconstrução da experiência, explorando a autoficção como território estético e político.
👉 Mais teatro? Acesse nossa programação cultural.
O processo de criação, conduzido por Douglas Chaves ao longo de 2025, envolveu um diálogo direto entre a escrita literária e a experimentação cênica, com o livro e a peça nascendo juntos em constante fricção. A dramaturgia originou-se de fragmentos de cartas, lembranças pessoais, relatos reconstruídos e lacunas assumidas, com o corpo do artista servindo como arquivo em sala de ensaio, testando modos de narrar como exposição, silêncio, ironia e ruptura.
O trabalho assume os riscos da autobiografia, mas se estrutura como autoficção, tensionando a imagem pública do criador e construindo um jogo entre intimidade e exposição. A encenação prioriza a economia de elementos e a palavra como ação. A investigação dramatúrgica contou com a colaboração de Luis Binotti, responsável pela organização e aprofundamento do material textual, enquanto Bruno Cardoso dirigiu o percurso cênico, potencializando a presença do ator e a relação com o público.
O resultado é um solo que reflete a maturidade artística de Douglas Chaves, sintetizando duas décadas de pesquisa em teatro, literatura e processos colaborativos. Douglas, natural de Jales (SP), iniciou sua trajetória artística no início dos anos 2000. Formado em Teatro e Letras, consolidou-se como ator, diretor e dramaturgo, sendo fundador da Corpo Santo Teatro, onde desenvolve pesquisa autoral focada em memória, autoficção e a relação entre literatura e cena.
Luis Binotti, com atuação no teatro desde 2005, é formado em Letras e atua como docente, articulando prática artística e pensamento acadêmico. Colabora ativamente com a Corpo Santo Teatro como ator e supervisor artístico. Bruno Cardoso, formado em atuação e Design, desenvolve um trabalho autoral que busca explorar as histórias de cada ator, criando universos imersivos. Com a Corpo Santo Teatro, aprofundou pesquisas em memória, política e experimentação estética.
Newsletter:
© 2010-2026 Todos os direitos reservados - por Ideia74