A Goma Arte e Cultura, em Barão Geraldo, recebe em sua galeria a exposição “Vestígios”, de Lia Maurer, entre os dias 27 de setembro a 10 de outubro. A artista é formanda em Artes Visuais na PUC-Campinas, e já expôs suas obras em espaços como a academia Anima e o Ciesp.
Ganhadora de seis prêmios relacionados a sua arte, sendo cinco nacionais e um deles internacional, e ainda ficou em segundo lugar no concurso de fotografia do SOS Racismo Madrid. Desenvolveu o projeto de iniciação científica “Modos de ver o tempo: Inscrições na Fotografia”, com orientação de Paula Almozara, na qual investiga processos e técnicas sobre a inscrição do tempo na imagem. Nessa mostra, sua pesquisa desdobra-se sobre imagens que tornam visíveis os rastros do movimento, ainda que borrões, estes enunciam relações da artista com escalas e proporções do espaço urbano.
Poucas vezes conseguimos racionalizar as forças pelas quais somos atravessados. Tempo, espaço, luz e gravidade são percebidos simultaneamente pelo corpo, essas intensidades físicas são evidencias pouco abertas a interpretação, pois, não fosse assim, não haveria pontes, prédios e satélites que se sustentassem. Esse pensamento levado à temporalidade também pode ser irrefutável por datação material-formal. Sabemos que a terra surgiu a aproximadamente a 4,56 bilhões de anos atrás, junto a isso, temos também evidências das forças que atuaram em sua formação. Conscientes ou não das forças geofísicas, somam-se a elas outras forças que carregam os sentidos que damos a nossas relações sociais, ambientais, interespécie e que compõe a produção de nossa subjetividade, essas sim, interpretáveis.
A câmera não tem a sensibilidade dos nossos olhos, então logo de início, o fotografo olha para a luz a partir das lentes de seus olhos e câmera ao mesmo tempo. Dizia Vilém Flusser, que no momento do registro o fotografo tem a tarefa de condensar três dimensões (tempo, espaço e luz) em apenas um plano bidimensional (altura x largura). Esse movimento de transcodificação, ou tradução, já refuta qualquer referente com a experiência vivida do corpo, torna-se assim, um resíduo de uma experiência eventual do fotografo.
O que então permanece da experiência? O que fora documentado? A única evidencia que podemos pensar nesse sentido seu resíduo material-formal: um filme ou um sensor digital queimado pela luz, as fotografias antigas que nos despertam memórias, não são um movimento de reviver o passado, apesar de olhamos para elas com essa predisposição, fomos educados visualmente pelo pensamento historicista a entendê-la como fato documental.
A cada dia que as vemos estamos interpretando a partir de quem somos no presente, preservamos nossos afetos e sentimentos para com o passado, mas para acessar a imagem, precisamos utilizar a imaginação para criar uma narrativa ficcional do que aconteceu. É nesse momento, enfim, em que ela se torna potente.
Quanto a artista Lia Maurer, toma consciência das forças geofísicas e subjetivas que envolvem a sua fotografia ela produz um corpo resíduo, uma materialidade evidente, mas é na imagem que ela passa a tratar de criação. Consciente de que sua ação não tem compromisso com uma memória linear, ela desloca todos os índices de que esta poderia ser sua intenção.
O seu enfoque passa a ser então com questões formais artísticas e poéticas tais como cor, composição e movimento, as quais demonstra muita habilidade. A partir disso, direciona-se a questão estética possibilitando perceber seus trabalhos como observador ativo, ou seja, somos convidados a compor sentidos para suas imagens-vestígio numa experiência presentificada. Nessa exposição, há ainda uma narrativa mais direcionada pela artista sobre seu know-how, na qual temos possibilidade de conhecer seu processo de familiarização com a ação fotográfica composta por cadernos de estudos e dispositivos fotográficos artesanais.
Exposição – “Vestígios”
Local: Goma Arte e Cultura – av. Santa Isabel, 518, Vila Santa Isabel, Barão Graldoo – Campinas
Fonte: assessoria de imprensa
Foto-crédito: Lia Maurer (divulgação)
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