Foto - crédito: Nina Pires
O premiado espetáculo “Como se Fosse”, do Grupo Matula Teatro, retorna a Campinas no dia 07 de agosto de 2026 para celebrar os 20 anos da Lei Maria da Penha. Com apresentações na Sala dos Toninhos, a peça, dirigida por Verônica Fabrini, explora a violência doméstica e familiar através da história de duas mulheres, separadas por 18 anos, cujas experiências dolorosas ecoam a realidade de muitas famílias. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos uma hora antes do início do espetáculo.
A trama acompanha duas mulheres da mesma família, cujas vidas são marcadas por experiências de violência. Uma conversa com a filha enquanto costura, e a outra ensaia palavras para alguém que ainda não chegou. Ao adaptar um texto de uma dramaturga espanhola, o Grupo Matula Teatro se surpreendeu com a forma como a obra abrange todo o ciclo da violência doméstica, desde o ato violento até o pedido de desculpas. Para adequar a narrativa à realidade brasileira, o grupo incluiu dados estatísticos sobre violência doméstica no país, que ocupa o quinto lugar em feminicídio e o primeiro em transfeminicídio no ranking mundial.
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Alice Possani, integrante do grupo, destaca o choque ao perceber as semelhanças entre a ficção espanhola do início dos anos 2000 e a atual realidade brasileira. Apesar da temática delicada, o grupo busca criar uma conexão intensa com a plateia, alternando momentos de tensão com humor e leveza, convidando à reflexão sobre um tema urgente.
A encenação transita por diferentes pontos de vista das relações familiares, explorando sutilezas entre mãe e filha, encontros e desencontros de um casal, e a perspectiva de experiências que se transformam com o tempo. A ação cíclica é potencializada por recursos cênicos, como a repetição de nomes, a figura da mãe que perde o dedal e a rotina de brigas e momentos de afeto.
As atrizes Alice Possani e Erika Cunha interpretam os papéis de mãe e filha, alternando-se em uma narrativa entrecortada por memórias, que revela as complexas camadas de sentimentos familiares. O público acompanha a luta da personagem mais nova para interromper o ciclo da violência.
O figurino de Anna Kühl reforça os aspectos de memória e transgeracionalidade através da reutilização de peças, com golas altas remetendo a uma sensação de sufocamento. A trilha sonora inédita de Dudu Ferraz dialoga com a atuação, criando atmosferas e estabelecendo um jogo direto com as atrizes.
A iluminação e cenotecnia de Eduardo Albergaria, com caráter minimalista, utilizam jogo de luz e sombras para valorizar os elementos em cena, em sintonia com a trilha sonora e os climas sugeridos pela dramaturgia. Para acentuar a dimensão social, um varal exibe roupas com os nomes de mulheres vítimas de feminicídio da Região Metropolitana de Campinas.
Informações: @matulateatro ou pelo e-mail: [email protected]
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