Atualizado em 14 de setembro
A Bienal Sesc de Dança volta a movimentar Campinas em 2023, entre os dias 14 a 24 de setembro. Esta 13ª edição do evento marca o reencontro entre artistas e público e traz uma programação com diversas experiências e uma reconexão com a cidade.
Serão mais de 60 atividades entre espetáculos, instalações, performances e ações formativas, distribuídas entre espaços do Sesc Campinas e da Unicamp, aparelhos culturais como Teatro Castro Mendes, Estação Cultura, Casa de Cultura Fazenda Roseira, Armazém CIS-Guanabara, além de áreas públicas como ruas, praças e até mesmo o terminal rodoviário municipal.
Foto: espetáculo “Lavagem. Crédito: Christopher Mavric (divulgação)
A programação reúne obras e artistas de nove países e 12 estados brasileiros, e é a primeira vez que o número de estados supera o de países representantes. São eles: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, São Paulo, e ações da África do Sul, Chile, Coreia do Sul, França, Moçambique, Ruanda, Síria e Suíça.
Veja a programação de espetáculos no link.
A realização é do Sesc São Paulo, com apoio da Prefeitura Municipal de Campinas e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Mais sobre o evento
A 13ª Bienal Sesc de Dança marca o retorno do festival ao formato presencial após a realização, em 2021, de uma edição completamente on-line devido à pandemia da Covid-19, e reafirma seu compromisso com a difusão da produção artística nacional e estrangeira apresentando uma programação com foco na pluralidade de corpos e nas poéticas da dança contemporânea. O festival é realizado em Campinas desde 2015, após oito edições em Santos (de 1998 a 2013).
Foto: espetáculo “Encantado”. Crédito: Sammi Landweer/divulgação
Em 2023, a maratona terá início com um espetáculo brasileiro pela 1ª vez: “Encantado”, vencedor do prêmio APCA de Dança na categoria coreografia/criação, da Lia Rodrigues (em) Companhia de Danças, do Rio de Janeiro, que estará no palco do Sesc Campinas na abertura, dia 14 de setembro, quinta-feira, às 20h.
A curadoria formada pela artista, pesquisadora e educadora Soraya Portela e outros seis programadores do Sesc São Paulo, destacou no lançamento a busca por temas atuais, como a diversidade, o diálogo da dança com o território, além de uma maior ocupação dos espaços da cidade e também além do palco (como as praças), entre outros aspectos.
Por meio da programação, propõe imaginar um Brasil dançando. Para isso, várias das atividades convidam o público a integrar as propostas, dando corpo a sua realização. Nesse sentido, é possível participar de aulas abertas e workshops; contribuir nas reflexões e criações e integrar os elencos das residências.
Espetáculos
A programação traz seis espetáculos internacionais inéditos no Brasil. A bailarina e coreógrafa sul-africana Dada Masilo, que vem ganhando visibilidade nos principais palcos europeus com suas interpretações únicas e inovadoras de balés clássicos com passos baseados em diferentes estilos de danças africanas, se apresenta pela primeira vez na América do Sul, com “The Sacrifice [O Sacrifício]”, no qual mescla o minimalismo compassado e expressivo da dança Tswana com a complexidade rítmica da versão de Pina Bausch (1940-2009) para o clássico “Sagração da Primavera”.
Foto: espetáculo “A beleza revela-se acessória”. Crédito: Latitudes/divulgação
Baseado na França, o artista brasileiro e transmasculino Pol Pi, sugere em “Schönheit ist Nebensache” ou “A beleza revela-se acessória” um diálogo entre a coreógrafa Dore Hoyer (1911-1967) e o compositor Paul Hindemith (1895-1963) por meio de cartas escritas por ambos. O espetáculo estende essa troca à situação política brasileira dos últimos anos. Por meio de palavras, música e movimento, um delicado trio é tecido, mostrando o quanto a arte e a política estão intimamente conectadas.
Também fazem suas estreias no Brasil as obras “Clamors [Clamores]”, solo de Mithkal Alzghair, um bailarino sírio refugiado na França; “HAMMAM”, da coreógrafa chilena Javiera Peón-Veiga, que estabelece uma experiência imersiva em um ambiente repleto de vapor; “Somoo”, do Art Project BORA da Coreia do Sul, sobre a libertação do corpo feminino e questionamentos sobre os papéis de gênero, e “The Ecstatic [O Êxtase]”, do estadunidense radicado na Suíça Jeremy Nedd, em parceria com a instituição sul-africana Impilo Mapantsula.
Foto: espetáculo “Corpos Velhos – Pra que Servem”. Crédito: Gil Grossi (divulgação)
Entre os espetáculos nacionais, a Bienal Sesc de Dança apresenta a estreia de “Corpos Velhos – Pra que Servem?”, de Luis Arrieta (SP). A partir do questionamento “onde estão os corpos velhos da dança?”, o bailarino e coreógrafo, ao lado de expoentes artistas da dança brasileira – Célia Gouvêa, Décio Otero, Iracity Cardoso, Lumena Macedo, Marika Gidali, Mônica Mion, Neyde Rossi e Yoko Okada – investiga em cena as danças existentes nesses corpos, suas memórias e narrativas. As coreografias “Ato1”, do campineiro SalaMUDA, e “Sangria – Manifestos Poéticos” (SP), do Osibàtá Coletivo de Dança mergulham nas questões vividas no cotidiano por pessoas pretas e também sobem ao palco pela primeira vez.
Pluralidade e mais programação
Com temas urgentes e atuais, as coreografias presentes na programação trazem ao palco debates sobre a invisibilização de corpos marginalizados, a violência urbana e o diálogo com outras linguagens artísticas, como a performance e as artes visuais. É o caso de “Engasgadas”, segundo rito para regurgitar o mundo, dirigido por Gal Martins (SP), no qual seis intérpretes expõem as muitas violências que seus corpos pretos e gordos sofreram ao longo de suas existências e anunciam que não aceitam mais engolir esse mundo indigesto.
Foto: espetáculo “Graça”. Crédito: Brunno Martins (divulgação)
A diversidade de corpos femininos e suas – nem sempre – diversas representações são investigadas no espetáculo “Graça”, que celebra o encontro entre a companhia Giradança, de Natal (RN), e a coreógrafa Elisabete Finger. Já “tReta”, uma invasão performática, do Original Bomber Crew de Teresina (PI), aprofunda a elaboração do que é viver na quebrada e resistir aos açoites de periferização, tocando em novas possibilidades a partir da dança. Em “Gente de Lá”, a ação cênica preta, favelada, urbana e transversal de Wellington Gadelha (CE) expõe um instante poético de denúncia e afronta, e “C A C U N D A”, solo da bailarina radicada em Campinas Adnã Ionara, parte de referenciais bibliográficos e simbologias afrodiaspóricas para dançar sobre o tempo e a memória.
Tecnologia e experiências multissensoriais também marcam presença na programação com as montagens “Lança Cabocla”, da Plataforma Lança Cabocla, com artistas da Bahia, Ceará e Maranhão, e “O Agora não Confabula com a Espera”, de Iara Izidoro (PE). Com concepção e direção de Alejandro Ahmed, “Eu Não Sou Só Eu Em Mim – Estado de natureza – procedimento 01, do catarinense Cena 11”, é o primeiro procedimento de aplicação teórico-prática do novo projeto do grupo, que pesquisa formas de reconsiderar as tensões práticas e terminológicas da dicotomia entre comportamento e linguagem, à luz da tecnologia como natureza.
A Bienal também traz uma série de performances, uma programação dedicada às famílias e crianças, duas instalações artísticas nas dependências do Sesc Campinas.
Ações formativas
Ainda na programação estão as ações formativas, com oficinas, rodas de conversas, residências artísticas e demais atividades que são um convite para que artistas, público e pesquisadores possam estar juntos para trocar suas vivências e práticas em dança. A ideia é que público e artistas, de diversas nacionalidades, compartilhem experiências, pensamentos e vivências que possibilitem a expansão de questões estéticas e políticas pertinentes ao atual cenário da dança contemporânea.
Esse ambiente de encontro pode ser traduzido na experiência “Pôr do Sol na Roseira”, que vai ocorrer na Casa de Cultura Fazenda Roseira, espaço que fomenta a memória e a cultura afro-brasileira. O público poderá contemplar o pôr do sol e participar de uma experiência composta pela performance “Trovoada”, com Fernanda Silva, pela vivência em Jongo, com a Comunidade Jongo Dito Ribeiro, e pela apresentação musical “Renascimento”, com Otis Selimane, de Moçambique.
A edição 2023 ainda aposta em aulas abertas com muito movimento, inclusão e socialização. A Praça Bento Quirino, no Centro de Campinas, e o Jardim do Galpão do Sesc Campinas servirão de palco para o “Baile Carioca, Baque Rosa tá na rua: dançando maracatu com Mestra Joana Cavalcante, Pantsula – um ritmo sul-africano e Aulão do Movimento – Uma experiência de dança com música ao vivo”.
Foto: espetáculo “Hammam”. Crédito: Fernanda Ruiz (divulgação)
Outra novidade é a realização de aulas magistrais com Carmen Luz, coreógrafa, diretora de cinema, curadora, docente e artista visual, e Leda Maria Martins, poeta, ensaísta, acadêmica e dramaturga brasileira. As aulas integram a ação “Saberes em Movimento”, que conta com encontros mediados por Sônia Sobral e Princesa Ricardo Marinelli sob temas pertinentes ao universo da dança contemporânea.
Oficinas também integram a grade das ações formativas, como a grande aula com Dada Masilo e elenco do espetáculo “The Sacrifice”, o laboratório com Javiera Peón-Veiga e equipe do espetáculo “HAMMAM” e “Scars of Soul #IamBrave”, com Hope Azeda, de Ruanda.
Durante a Bienal Sesc de Dança, a área de convivência do Sesc Campinas se transforma em uma pista de dança no “Ponto de Encontro”, com direito a shows, performances e discotecagens. Além de aproveitar o momento para um intercâmbio descontraído em torno das atividades da Bienal, é um espaço para que todas as pessoas mexam seus corpos como desejarem.
13ª Bienal Sesc de Dança
Confira a programação completa no site: sescsp.org.br/bienaldedanca
Locais das apresentações:
Sesc Campinas – Rua Dom José I, 270/333 – Bonfim. Telefone (19) 3737-1500
Casa de Cultura Fazenda Roseira – Rua Domingos Haddad, 1 – Residencial Parque da Fazenda Campinas
CIS Guanabara – Armazém I | Armazém II | Gare – Rua Mário Siqueira, 829 – Botafogo
Estação Cultura – Praça Marechal Floriano Peixoto, s/n° – Centro (entrada de público). Rua Francisco Teodoro, 1.050 Vila Industrial (estacionamento)
Largo das Andorinhas | Travessa São Vicente de Paula – Av. Anchieta, s/nº – Centro (em frente à escola Carlos Gomes)
MIS – Museu da Imagem e do Som de Campinas – Rua Regente Feijó, 859 – Centro
Monumento à Mãe Preta / Igreja São Benedito – Rua Cônego Cipião, 772 – Centro
Praça Bento Quirino – Rua Barão de Jaguará – Centro (próximo ao nº 1.373)
Praça Rui Barbosa – Rua 13 de maio, s/nº – Centro (próximo ao nº 577)
Rodoviária – Terminal Multimodal Ramos de Azevedo – Rua Dr. Pereira Lima, 60-140 – Vila Industrial
Sala dos Toninhos (na Estação Cultura) – Rua Francisco Teodoro, 1.050 – Vila Industrial
Senac Campinas – Rua Sacramento, 490 – Centro
Teatro Municipal José de Castro Mendes – Rua Conselheiro Gomide, 62 – Vila Industrial
Unicamp – Casa do Lago – Cidade Universitária Zeferino Vaz, s/n° – Barão Geraldo
Foto no alto: espetáculo “The Sacrifice”. Crédito: John Hogg/divulgação
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