Foto – crédito: Rafael Scucuglia/divulgação
Reunindo dança contemporânea, artes visuais e interação com artesãs e artesãos de sete cidades paulistas, a programação cultural “{Jandiras}” começa com uma atividade chamada de “Ponto de Encontro”, neste domingo, dia 26 de março, na Praça Carlos Gomes, no Centro de Campinas, a partir das 10h.
Neste “Ponto de Encontro”, o público se reúne para realizar práticas manuais com linhas, como o bordado, a renda nhanduti, o tricô de braço, entre outras técnicas.
“A proposta é promover um encontro para pessoas interessadas em compartilhar e aprender sobre trabalhos manuais e a relação das linhas com o corpo. Nesta atividade, convido as pessoas a criarem uma escrita têxtil a partir de uma pequena observação do corpo e do espaço em que nos encontraremos. Neste momento, compartilharemos o tempo, o espaço, memórias, histórias, inclusive da cidade e do ambiente, e abrimos brecha para a criação e o afeto acontecerem”, explica Hellen Audrey, idealizadora da programação.
A atividade é gratuita e as pessoas interessadas podem levar suas agulhas, linhas, seu banquinho e, caso desejem, algum quitute para compartilhar em piquenique. O “Ponto de Encontro” é uma oficina lúdica que conecta todos os elementos que compõem “{Jandiras}”: os trabalhos manuais com fios e linhas, as técnicas ancestrais, a dança contemporânea e o público em si.
Mais sobre o projeto cultural
“{Jandiras}” é um híbrido de espetáculo de dança, performance e instalação de linhas. Criada e interpretada pela artista da dança e das artes manuais Hellen Audrey, com a participação do músico Guga Costa, a obra une a dança contemporânea e a execução de rendas e crochês ao vivo com uma trama musical tecida e remixada também ao vivo – produzida apenas com voz e um pedal de loop.
Foto – crédito: Rafael Scucuglia/divulgação
A proposta do trabalho, de acordo com a artista, é poder estabelecer conexões com a arquitetura e o contexto de cada local. “A obra fala, a partir de um contexto feminino, sobre as relações que estabelecemos com o mundo, com as pessoas e com nós mesmos; como tudo está conectado por uma delicada renda social; como o território e sua história nos atravessam; como nos influenciamos e nos afetamos o tempo todo; e como nosso corpo se expressa, se relaciona com tudo isso, e se modifica o tempo todo. Adaptabilidade e escolhas”, conceitua.
“‘{Jandiras}’ é um trabalho que costura a arte têxtil, a dança e a poesia para falar sobre ancestralidade, sobre o tempo e sobre a delicadeza das relações. O corpo e as linhas como ferramentas de encontro, diálogo, cuidado, respeito, memória… ritual e política. É uma proposta que se desdobra em vários formatos e que fala sobre a poética de nossas cicatrizes, sobre a potência de cura e a adaptabilidade do corpo. Rendas e trabalhos manuais como forma de criação de diálogos e de comunidades saudáveis”, completa a artista.
O nome “{Jandiras}” é uma homenagem à tia de Hellen Audrey que iniciou a artista ainda criança no crochê. Nasceu como uma performance no primeiro semestre de 2017, após convite para a abertura da mostra “Fio da Meada”, realizada no antigo espaço The Mix Bazar, em Campinas, e que reuniu importantes artistas plásticos paulistas ligados ao contexto de criações com linhas e fios. A artista Hellen Audrey, que também atuou como curadora do projeto, concebeu o híbrido de improvisação em dança, performance e instalação de linhas “{Jandiras}” – mesmo nome da exposição com suas obras, inspiradas em rendas autorais – em um modelo site specific.
Esta é a primeira atividade e também uma das ações de contrapartida do projeto contemplado pelo Programa de Ação Cultural (ProAC), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo. A proposta prevê apresentações do espetáculo “{Jandiras}” e realização de oficinas em parceria com artesãs e artesãos em cada uma das sete cidades nas quais o trabalho será realizado.
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