Foto - crédito: Câmara Municipal de Campinas, divulgação
A Câmara Municipal de Campinas abre suas portas para a exposição “Nada Disso Foi Feito Para Durar”, uma coletânea de 23 imagens em preto e branco da fotógrafa Samara Macêdo, com curadoria de Ricardo Lima. Integrante da 16ª edição do “Festival Hercule Florence”, um dos maiores eventos de fotografia do Brasil, a mostra aborda a memória social e a urgência climática por meio de vestígios da presença humana no cotidiano. A entrada é gratuita.
A exposição apresenta fotografias analógicas em preto e branco, capturadas a partir de experiências que desafiam a confirmação imediata, revelando a permanência material do instante através da distância e da memória. Cada imagem é um convite à observação rigorosa de rastros deixados no ambiente urbano e natural, com as fotografias construindo uma temporalidade própria, marcada por intervalos e permanências silenciosas.
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As obras, realizadas em 2026 durante percursos sem destino pré-estabelecido, exibem espaços vazios, superfícies instáveis e formas em transformação. Arquibancadas pós-espetáculo, estruturas abandonadas, teias, reflexos e matérias orgânicas são apresentados não como documentos de locais específicos, mas como vestígios de acontecimentos impossíveis de serem totalmente recuperados. Samara Macêdo, residente no Rio Grande do Norte, está em Campinas a convite do festival.
“O que se vê é a permanência material do instante, já que contaminada pela memória, o preto e o branco analógico, tem uma característica de aprofundar mais a representação de uma imagem ao ser observada pelo expectador”, define a fotógrafa. Ricardo Lima, curador, complementa que as fotografias se apresentam como um exercício de atenção, convidando o espectador a habitar o intervalo entre realidade e lembrança, lembrando que toda fotografia nasce diante de algo em transformação.
Lima explica que o título da série ressalta a transitoriedade sem converter em desaparecimento absoluto. Mesmo que nada tenha sido feito para durar, alguns elementos persistem: uma marca, uma superfície, uma forma de vida na ruína, um reflexo prestes a se desfazer. “A artista detém o olhar sobre esse breve estado de continuidade, quando o mundo ainda conserva os sinais daquilo que deixou de ser”, relata o curador.
A abertura da exposição coincidiu com a Reunião Solene no Plenário José Maria Matosinho da Câmara Municipal de Campinas, quando será entregue o Diploma e a Medalha de Mérito Cultural Hercule Florence. O prêmio, concedido anualmente a profissionais de destaque na fotografia, será entregue pelo presidente Luiz Rossini a Fábio Fantazzini, Neander Heringer, Daniel von Atzingen, Rafaela Azevedo, Maria Alice Rosa Ribeiro, Iara Cecília Pimentel Rolim, Márcia Piccin e Sylvia Helena Furegatti.
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