Foto - crédito: Barbara Campos, divulgação
O Sesc Campinas recebe nos dias 9 e 10 de outubro o espetáculo “Gota D’Água – No Tempo”, uma releitura da obra de Chico Buarque e Paulo Pontes, inspirada em “Medeia” do poeta grego Eurípedes. A montagem, conduzida pela Cia Coisas Nossas de Teatro e dirigida por Georgette Fadel, transporta o público para a fictícia Vila do Meio Dia, um conjunto habitacional popular onde os dramas de Joana e Jasão se desenrolam. Os ingressos já estão à venda online pelo app Credencial Sesc SP, no site e presencialmente nas unidades do Sesc SP.
Idealizado por Georgette Fadel e Cristiano Tomiossi, que fizeram parte do elenco original há 20 anos, o projeto atual reúne atrizes, atores e músicos da Cia Coisas Nossas de Teatro. A trama se aprofunda nas consequências do abandono e da ascensão social, com Jasão deixando Joana para casar-se com Alma, filha do influente Creonte, proprietário do conjunto habitacional. A peça investiga como a tragédia clássica de Medeia ressoa no Brasil contemporâneo, abordando temas como desigualdade social, luta de classes e precarização da vida.
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A encenação preserva a estrutura e o contexto original da obra, mas apresenta um novo olhar sobre seus personagens, agora marcados pelo tempo e pelas escolhas feitas. Ao invés de atualizar a história para os dias atuais, a peça evidencia os paralelos entre as décadas de 1970 e o Brasil contemporâneo, sugerindo que as estruturas de opressão permanecem vivas. O espetáculo questiona o que acontece quando o futuro deixa de ser promessa e se resume à sobrevivência.
No elenco estão Cristiano Tomiossi, Débora Veneziani, Georgette Fadel, Joaz Campos, José Eduardo Rennó, Larua Alves, Leandro Vieira, Lilian Regina, Lívia Camargo e Mawusi Tulani. A direção é de Georgette Fadel e codireção de Cristiano Tomiossi. A direção musical é de Marco França, com codireção musical de Alê Moura.
Em sua trajetória, a Cia Coisas Nossas de Teatro busca dialogar com a história cultural e política do país através do teatro musical, focando em compositores-cronistas. Seus trabalhos anteriores incluem homenagens a Noel Rosa, Vinicius de Moraes, Braguinha e pesquisa sobre o samba paulista. A companhia já explorou obras inspiradas em Jorge Amado e Augusto Boal, sempre com um olhar voltado para as relações humanas, políticas e sociais.
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