Foto - crédito: Vic Galvão, divulgação
O espetáculo teatral “Senhora M.”, uma releitura ousada de “Macbeth” de Shakespeare, chega a Campinas com temporada de estreia gratuita. Com direção e dramaturgia de Felipe Venâncio e direção musical de Isabela Siscari, a obra, que conta com as atrizes Eva Maria, Maria Angélica Rocha e Monique Ferreira em cena, propõe uma perspectiva feminina e afro-diaspórica sobre desejo e poder.
As apresentações iniciam em 29 de março, com sessões até 4 de abril, em dois locais: Quintal Garatuja e Espaço Cultural Veneza. A entrada é gratuita para todas as apresentações. No dia 2 de abril haverá sessão com audiodescrição.
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“Senhora M.” dialoga com o teatro político brasileiro, a tradição musical popular e operística, e cosmologias afro-diaspóricas. A montagem busca desconstruir a imagem de Lady Macbeth como figura de culpa ou loucura, elevando-a a uma potência desejante, consciente e responsável por suas escolhas. A obra funde teatro, música ao vivo, ópera e ritualidade afro-brasileira, questionando as construções históricas em torno do machismo e do poder feminino.
A peça transita entre o pagode e a Ave Maria afro-brasileira, criando um espaço simbólico onde o palácio e o terreiro se encontram. Felipe Venâncio, diretor e dramaturgo, afirma que “Mais do que adaptar o clássico, “Senhora M.” atravessa-o. A culpa deixa de ser destino inevitável e passa a ser questionada como construção histórica”.
A estrutura do espetáculo é organizada em sete cenas-rito: Agô, Axé, Ginga, Encruzilhada, Auê, Ebó e Adupé, inspiradas na pesquisa de Altemar Di Monteiro. A narrativa explora desejo, poder e culpa como uma travessia coletiva, reinventando o conceito de ‘queda’ e enfatizando o poder da escolha.
Venâncio complementa que, enquanto “Macbeth” é uma das tragédias mais potentes do teatro ocidental, sua personagem feminina foi historicamente associada à manipulação e perversidade. “Senhora M. propõe uma revisão crítica dessa perspectiva, deslocando a leitura da culpa individual para uma análise das estruturas de poder e do atravessamento do machismo na constituição do desejo feminino”.
Ao integrar referências de ritos e tradições afro-diaspóricas, como encruzilhada, Orí, ebó e axé, o espetáculo redefine o destino como escolha, e não fatalidade. A montagem destaca o protagonismo feminino e afro-diaspórico, oferecendo uma revisão crítica à hegemonia europeia e articulando clássico, cultura popular e pensamento afro-brasileiro em uma obra autoral.
Este projeto é realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, através do Ministério da Cultura (MinC), operacionalizado pela Prefeitura Municipal de Campinas.
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