A prospecção de um “pré-sal musical” de ritmos que dividem a matriz africana com o samba, mas seguem ignorados na produção atual: essa é a proposta de “Cultura de Existência”, primeiro álbum de Diogo Nazareth, que será lançado com agenda de shows em São Paulo em novembro, mês da Consciência Negra. Em Campinas, a próxima apresentação será no dia 15 de novembro, na Estação Cultura, às 17h (como parte da agenda oficial da Prefeitura para o Mês da Consciência Negra). A entrada é gratuita.
Formado em Piano Popular pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em 2014, o músico de 30 anos apresenta um trabalho totalmente autoral composto de 12 faixas, unindo toques do ritual da nação Ketu, que envolvem atabaques e agogôs, com as técnicas de composição europeias.
“Na prática, fundimos o sotaque do Aguerê, o Alujá, o Ijexá, o Ilú de Inhansã, com a formação típica do regional de choro: violão de sete cordas, violão de seis cordas, cavaco e/ou bandolim. Ou seja, instrumentos harmônico-melódicos que abrem as possibilidades do emprego de técnicas eruditas de composição para o tratamento desses ritmos desconhecidos do grande público”, explica Nazareth. A junção desses universos constitui o centro estético do disco, complementado por linhas em naipe de sopros e participações de viola caipira.
O músico evoca a formação do próprio samba, um amálgama da linguagem percussiva afro com as polcas e rondós vindos da Europa, ao falar do objetivo do projeto.
As letras fazem a conexão dos ritos com os enfrentamentos cotidianos da população negra, em críticas sociais contextualizadas na cultura de resistência – que, aliás, é um paralelo traçado pelo próprio título do álbum.
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