Foto - crédito: Amanda Evellyn, divulgação
O artista Edh Lorran apresenta o espetáculo “À Deusa em Marília Mendonça”, uma homenagem poética à cantora carinhosamente conhecida como a rainha da sofrência, no dia 21 de março, sábado, no Teatro Bento Quirino. O projeto combina música, performance e elementos visuais para criar uma experiência sensorial que explora temas como amor, memória e afetos universais. A figura do cupido surge como um símbolo poético, representando um amor que transcende o tempo e a memória, evocando a presença duradoura de Marília no imaginário do público.
Com 90 minutos de duração, o show apresenta 20 canções do repertório de Marília Mendonça e composições próprias de Edh Lorran, em releituras que refletem sua linguagem artística. Além de ser um tributo, o projeto visa promover visibilidade LGBTQIAP+, diversidade e inclusão.
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A trajetória de Edh Lorran é marcada por significativas releituras de clássicos da música popular brasileira e pela sua afirmação como cantautor. Sua obra dialoga com o movimento LGBT+, integrando e tensionando as cenas culturais de Campinas e região. Ao longo de sua carreira, Lorran desenvolve projetos que abordam temas urgentes da contemporaneidade, como LGBTfobia, feminicídio e racismo.
No espetáculo, a figura do cupido simboliza a mensagem de Marília Mendonça que permanece viva, como se suas canções, agora vindas do céu, continuassem a tocar corações com a mesma intensidade de antes. Entre flechas de amor e melodias de saudade, a imagem evoca a ideia de que sua voz e presença seguem habitando o imaginário afetivo do público.
Marília Mendonça ocupou um espaço de destaque em um gênero tradicionalmente masculino e machista como o sertanejo. Com suas composições confessionais, cruas e acessíveis, ela ampliou as fronteiras do que se entende como voz feminina na música popular brasileira. Sua figura carismática permitiu que milhões de mulheres e pessoas LGBT+ se vissem representadas em narrativas antes silenciadas.
“À Deusa”, ao adotar Marília como ponto de ancoragem simbólica, busca expandir essa força para outros corpos dissidentes, reivindicando um lugar legítimo para suas experiências afetivas e estéticas dentro do imaginário coletivo. Enquanto Marília falava com as multidões a partir de um lugar feminino popular e afetivo, Edh Lorran propõe um discurso que une essa mesma afetividade à perspectiva queer, deslocando estereótipos e ampliando o alcance de narrativas plurais.
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