Um dos mais importantes espaços de memória, arte e identidade de Campinas, o Cemitério da Saudade completa 145 anos neste 7 de fevereiro de 2026.
Fundado em 1880 e inaugurado oficialmente em 1881, o local vai muito além de sua função original: é um museu a céu aberto e um retrato vivo da história campineira.
Entre alamedas silenciosas, esculturas centenárias e histórias que atravessam gerações, o Cemitério da Saudade, localizado no bairro Swift, preserva o patrimônio histórico e cultural campineiro com visitação aberta ao público interessado em conhecer suas riquezas arquitetônicas. Um passeio especial, aliás, está marcado para o sábado, com inscrições gratuitas.
Histórico
Conhecido inicialmente como Cemitério do Fundão, por estar situado na antiga fazenda de mesmo nome, o campo-santo surgiu para substituir a necrópole da Vila Industrial, atendendo às demandas sanitárias e ao crescimento urbano impulsionado pelo ciclo do café. Tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural (Condepacc) em 2003, o espaço hoje é reconhecido pelo seu valioso acervo de arte tumular e simbologia, que narra a evolução social e econômica da região.
A arquitetura do cemitério é um capítulo à parte, apresentando um traçado original inspirado no mapa da cidade de Campinas do século XIX. O portal de entrada, o prédio administrativo e o necrotério, inaugurados em 1913, levam a assinatura do renomado arquiteto Ramos de Azevedo. Além disso, as alamedas abrigam obras de artistas de ascendência italiana, como Lélio Coluccini, Marcelino Velez e Nicola Del Picchio, cujas esculturas transformam os jazigos em uma galeria que expressa sentimentos de fé e devoção.
Ao longo de quase um século e meio, o local tornou-se o repouso final de personalidades ilustres da história brasileira e local, incluindo Francisco Glicério, Moraes Salles, Orozimbo Maia, Bento Quirino, Barão Geraldo de Resende, entre outros líderes políticos. O espaço também já serviu de cenário para produções audiovisuais, como o filme “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, consolidando sua relevância cultural além do contexto fúnebre.
O Cemitério da Saudade também é palco de forte devoção popular, atraindo visitantes aos túmulos de Maria Jandira, dos Três Anjinhos e de Toninho Escravo, além do Cruzeiro instalado em 1910 em memória de um homem escravizado. Outro ponto de destaque é o Mausoléu dos Voluntários de 32, que presta homenagem aos combatentes da Revolução Constitucionalista.
Atualmente gerido pela Setec, o Cemitério da Saudade tem recebido investimentos em preservação e projetos de revitalização. Com cerca de dois milhões de pessoas sepultadas, segue preservando histórias e afetos, atraindo não apenas familiares, mas mantendo-se como um destino para pesquisadores, estudantes e turistas interessados na preservação da memória coletiva.
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