Campinas terá um data center de alta capacidade, focado no processamento de aplicações de inteligência artificial. O investimento inicial previsto é de aproximadamente R$ 5 bilhões, com potencial para atingir R$ 20 bilhões em futuras fases de implantação. O projeto, anunciado nesta quinta-feira, 20 de agosto, pelo Managing Director da Actis e CEO interino da Terranova, Mauricio Giusti, tem a expectativa de gerar cerca de 3,6 mil empregos diretos e indiretos, reforçando a posição da cidade como polo estratégico em tecnologia.
O empreendimento será instalado no Polo de Inovação para o Desenvolvimento Sustentável (PIDS), onde a Terranova é a primeira empresa a receber incentivo fiscal. Durante a cerimônia, foi entregue o alvará que autoriza o início das obras do Campus Campinas, que ocupará uma área de aproximadamente 944 mil metros quadrados, com cerca de 115 mil metros quadrados de construção. Segundo destacou o prefeito Dário Saadi, a iniciativa demonstra a capacidade de Campinas em atrair investimentos de alta complexidade e impulsiona a cidade na nova economia digital,
“Campinas tem uma trajetória consolidada na ciência, na tecnologia e na atração de empresas de alta complexidade. Um investimento dessa dimensão mostra que a cidade está preparada para receber uma infraestrutura fundamental para o avanço da inteligência artificial e para gerar novas oportunidades para a população”, afirmou Saadi.
A infraestrutura do Campus Campinas incluirá uma subestação com capacidade inicial de 300 MW, com possibilidade de expansão para até 1 GW. Na primeira fase, estão previstos 216 MW de capacidade dedicada à tecnologia da informação (TI), com áreas designadas para futuras expansões que podem elevar essa capacidade para 386 MW. Essa estrutura será voltada para operações de alto desempenho, suprindo a demanda por infraestrutura para inteligência artificial e outros serviços digitais.
Mauricio Giusti enfatizou a importância deste passo: “O início das obras representa um passo histórico para a Terranova e para a infraestrutura digital da América Latina. Estamos construindo um complexo de data centers projetado especificamente para a era da IA, que oferece a máxima capacidade de processamento aos hyperscalers globais e utiliza tecnologias inovadoras de sustentabilidade. Este empreendimento coloca Campinas e o Estado de São Paulo no mapa global dos data centers e demonstra que construir de forma sustentável pode reduzir custos operacionais ao mesmo tempo em que preserva o meio ambiente.”
Um dos diferenciais do projeto é a adoção de tecnologia de resfriamento líquido em circuito fechado, uma solução que reduz o uso de água no processo de refrigeração dos equipamentos e contribui para a eficiência energética da operação. Do total da área do empreendimento, aproximadamente 285 mil metros quadrados serão preservados como áreas verdes ou destinados ao município.
O projeto também contempla a integração de equipamentos e infraestrutura urbana, incluindo vias públicas e sistemas de tratamento de água e esgoto. André Cruz, secretário em exercício de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação, ressaltou o potencial do campus em fortalecer as conexões com o ecossistema tecnológico já existente em Campinas. “Um empreendimento como esse movimenta uma cadeia que vai muito além da operação do próprio data center. Ele cria demanda por serviços, fornecedores e profissionais especializados e pode aproximar ainda mais empresas, universidades e centros de pesquisa que já fazem parte do ecossistema de Campinas”, pontuou Cruz.
Adicionalmente, o projeto prevê a formação de parcerias com universidades, centros de pesquisa e instituições de capacitação da região para o desenvolvimento de profissionais especializados. A implantação completa do campus está planejada em diferentes fases, com expansão da estrutura prevista até 2029.
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