Gastronomia

Projeto Sustentar em Campinas traz curso sobre ecogastronomia

25 de agosto de 2010

Você já ouviu falar sobre o movimento Slow Food? E sobre ecogastronomia? Não se trata de comer devagarinho, nem cozinhar em uma fogueira no meio do mato, mas sim de fazer uma escolha alimentar que alia o prazer em se comer bem com a consciência e reconhecimento das “fortes conexões entre o prato e o planeta”.

Este é um dos temas do Projeto Sustentar 2010, que começou nesta quinta-feira, 25 de agosto, em Campinas, no Parque Portugal (Lagoa do Taquaral), aberto ao público (saiba mais).

Durante os dias do evento, o líder do Convivium Slow Food Campinas, unidade do movimento internacional na cidade, Mário Firmino, vai dar um curso de introdução à ecogastronomia aos interessados, em que deve apresentar os conceitos e ensinar receitas fáceis que podem ser o começo de uma mudança no cotidiano alimentar das famílias.

Firmino explica que querer comer bem é buscar a origem dos alimentos que se está ingerindo.

“O Slow Food tem um lema: ‘por um alimento bom, limpo e justo’. Se você come um alimento local e de época, não se consome combustível fóssil (utilizado no transporte). Além disso, produtos fora de época estão com aditivos, tem o uso da embalagem, ou seja, a prática da ecograstronomia está diretamente ligada à sustentabilidade”, comenta. O conceito é dar preferência sempre aos produtos regionais e de época.

Sobre a questão dos preços altos dos alimentos, Firmino diz que não se refere apenas aos produtos orgânicos, que são em gerais mais caros em virtude da certificação. “Tem muitos que não são orgânicos, mas tem a prática da produção limpa. Agora, do ponto de vista de desembolsar o dinheiro para comprar, pode ser mais caro, mas se você pensar o que se troca por saúde, é barato. Essa diferença de ‘preço’ não está se colocando na conta”, opina.

Slow Food

Campinas está entre os 21 Convivia (grupos) do movimento existente no Brasil. O Slow Food é uma associação internacional sem fins lucrativos fundada em 1989 “como resposta aos efeitos padronizantes do fast food; ao ritmo frenético da vida atual; ao desaparecimento das tradições culinárias regionais; ao decrescente interesse das pessoas na sua alimentação, na procedência e sabor dos alimentos e em como nossa escolha alimentar pode afetar o mundo”, como define o site oficial do movimento. São mais de cem mil associados.

Agora, como adotar a prática da alimentação saudável diante da correria dos dias atuais? Firmino, que conheceu o conceito há cerca de quatro anos, tem árvores frutíferas em casa, como uvaia, acerola, um pé de pitanga na calçada, que divide com o vizinho, fruta que “não se encontra mais para comprar”, além de um método de compostagem para as sobras de lixo orgânico, como utilizá-las como adubo de plantas. Em apartamentos, é possível ter vasos com ervas, por exemplo.

“Você incorpora o conceito. É claro que, com a vida urbana, não é possível fazer isso o tempo todo. Se não consigo no almoço, escolho um restaurante que tenha alimentos frescos. Fast food, de jeito nenhum”, afirma.

“Gourmet diletante” há muitos anos e participante do Clube Gourmet de alta gastronomia de Campinas, que já tem 13 anos, Firmino é consultor na área de tecnologia da informação e tem usado a filosofia da gastronomia no meio empresarial. Em outras palavras, até os negócios acabam na cozinha. “É possível trabalhar no desenvolvimento de pessoas usando a gastronomia”, resume.

Para o gourmet, com a cultura de massa e do consumo, estão se perdendo coisas que fazem parte da vida. Preparar os pratos, por exemplo, é uma delas. E dá uma lição: “Alimentar-se é um hábito de sustentação à vida”.

Veja receita com fruta da região de Campinas

Programação:

Slow Food – Ecogastronomia (palestras e receitas)
Local: Parque Portugal (Lagoa do Taquaral) – Pavilhão Fórum Internacional Brasil 2020
Datas: de 25 a 29 de agosto
Horário: a partir das 10 horas
Contato com o Convivium Slow Food Campinas: [email protected]

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