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Pedalando em Campinas

9 de março de 2011

Clara Coelho

Tem muita gente em Campinas fazendo do domingo no parque um domingo de bike. Com a ciclofaixa inaugurada em janeiro, a galera anda acordando mais cedo para dar umas boas pedaladas pelos 18 quilômetros que ligam o centro ao Parque Taquaral.

Marcada por uma faixa vermelha, protegida por cones e com fiscais da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) auxiliando nas travessias das ruas, a primeira ciclovia da cidade funciona aos domingos e feriados, das 7 às 13 horas. Mas pedalar em Campinas não se resume apenas a este trajeto e horário limitados. Vários grupos de bikers já estão na estrada faz tempo. Tem os que saem para passear à noite, os que gostam de pegar trilhas nos distritos de Sousas e Joaquim Egídio, de passear pelo distrito de Barão Geraldo e há também os que organizam viagens nos fins de semana.

Que tal tirar as teias de aranha da bicicleta, ajustar o capacete, encher a garrafinha de água, partir para um ‘pedal’ (como os ciclistas chamam os passeios) e até fazer novos amigos? Opção de locais para pedalar é o que não falta!

Ciclofaixa

Idealizada como projeto de lazer, a ciclofaixa ainda está em fase de teste, mas muita gente já aprovou. Fernando Donizete saiu do bairro Flamboyant, pedalou pela ciclofaixa com os dois filhos e no final do trajeto, na Lagoa do Taquaral, parou para repor as energias. “Foi uma ótima ideia essa ciclofaixa. É seguro para vir com a família”, opina.

Carol Ribeiro e o namorado Bruno Garcia viraram adeptos. “Antes a gente só caminhava pelo parque. Agora compramos bicicletas e, como moramos no centro, fazemos todo o percurso”.

Por ser asfaltada e isolada do trânsito de carros, a trilha urbana, na opinião dos ciclistas, é ideal para famílias e para quem está começando a pedalar. No entanto, alguns bikers experientes também aproveitam essa tranquilidade. Kênia Amorim vai para o trabalho de bicicleta e sabe das dificuldades que os ciclistas enfrentam. “Os ‘monstroristas’ não respeitam a gente. Sempre levo fechada no trânsito. A ciclofaixa é muito boa, pois incentiva quem não está acostumado a andar de bicicleta. Pedalar é um meio de transporte e uma forma de manter a saúde, por isso a ciclofaixa não deveria funcionar só aos domingos e feriados”, argumenta.

Bicicletada

É justamente para defender o uso da bicicleta como meio de transporte que os ciclistas vão se unir no dia 23 de março para pedalar pelas principais ruas da cidade na 3ª Biclicletada. O movimento ocorre em várias cidades do Brasil e em Campinas já chegou a reunir mais de 300 ciclistas em suas edições anteriores. Entre as vitórias do manifesto está justamente a criação da ciclofaixa.

Pedalar para conscientizar é a proposta da Bicicletada que agora vai reivindicar a implantação das ciclovias já aprovadas em um projeto de lei de 2008. Implantação de bicicletários (estacionamentos para bicicletas) e campanhas de educação do trânsito são parte deste projeto de lei e da pauta dos ciclistas. Os integrantes do movimento querem a manutenção da ciclofaixa e em alguns trechos, como na Av. Norte-Sul, por exemplo, sua transformação em ciclovia. Isso porque ciclofaixa é uma faixa exclusiva para ciclistas sem uma separação física das demais faixas, como é o caso das ciclovias, que são separadas fisicamente do tráfego de automóveis.

Um dos líderes do movimento, Eduardo Gomez, argumenta: “Há um grande custo para se montar e desmontar a estrutura da ciclofaixa aos domingos e feriados. Se houver uma ciclovia funcionando permanentemente, as pessoas podem se deslocar com segurança a hora que quiserem e passar a usar a bicicleta no dia-a-dia e não apenas no momento de lazer", defende.

Saiba mais

Pedal em grupo

Enquanto as ciclovias não saem do papel, a solução encontrada por muitos ciclistas é se juntar em grupos para pedalar com segurança, tanto em relação ao trânsito como a assaltos, além de curtir as trilhas e a natureza. Os grupos também são um espaço de companheirismo e alegria. O programador Guto Modesto, 34 anos, pedala desde os 17. Ele faz parte do grupo Mais Aventura e enfatiza que o importante é a diversão: “O legal do pedal em grupo é o clima de amizade, as risadas. Sempre tem um contador de história que vai entretendo a galera”, diz. O pessoal do Mais Aventura se encontra aos sábados de manhã para pedalar cerca de 50 km nas trilhas de terra de Joaquim Egídio. “Todo mundo é bem-vindo. É só chegar com disposição e curtir o pedal nessa paisagem maravilhosa”, recomenda.

É assim com todos os grupos da cidade: são abertos a novos integrantes e para pedalar não é necessário fazer inscrição ou pagar taxas. O que é aconselhável, porém, é que aqueles que quiserem participar se informem quanto ao percurso e o grau de dificuldade. A boa notícia é que existe pedal para todos os níveis. Os passeios que o grupo Ecosbikers, de Barão Geraldo, organiza pelas ruas e fazendas do distrito aos sábados à tarde, por exemplo, são próprios para iniciantes.

Eduardo Gomez, de 42 anos, fundador do grupo Domingueiras Bike, iniciado em 2008, dá uma ideia do espírito do grupo: “Nos nossos passeios de domingo costumam ir de 20 a 40 pessoas, de idades variadas, desde crianças até um senhor de mais de 60 anos. A gente não ‘tá’ competindo, então, é um ritmo de passeio, a gente espera quem vai mais devagar”, explica. "O importante é que a pessoa esteja consciente de suas condições físicas", ressalta o ciclista.

O Pedal Light, que ocorre às terças à noite, organizado pelo Campinas Bike Club, é uma boa dica para quem quer começar e testar a resistência. O passeio é de cerca de 10 km ou uma hora. A concentração é na Lagoa do Taquaral e a pedalada percorre as principais avenidas da cidade.

Pedalar é apaixonante, na opinião dos ciclistas, que fazem da bike um estilo de vida. Que a atividade faz bem para a saúde, todos já sabem. Dú Gomez, no entanto, aponta para outros benefícios: “O grupo vira uma família. É um ambiente de descontração e incentivo. Já saiu até namoro. Também já vi gente superar a Síndrome do Pânico pedalando”. E Guto garante que “quem vai uma vez e consegue fazer o percurso numa boa, com certeza volta.” E é só começo.

Cicloturismo

“Já tinha ido a Amparo muitas vezes, mas nunca imaginei chegar lá de bike”. A sensação de superar as distâncias com o próprio corpo e desfrutar o caminho é o que estimula Pedro Bellini a botar a bike na estrada.

Dois anos depois da primeira aventura, o campineiro de 23 anos está se preparando para uma viagem mais longa: vai fazer os 1.100 km que ligam Diamantina, em Minas Gerais, a Paraty, no Rio de Janeiro. O percurso pela Estrada Real, antiga rota oficial da Coroa Portuguesa para o escoamento de minérios, deve ser completado em 20 dias. O jovem, no entanto, não tem pressa. Sabe aquele ditado “O caminho é mais importante que o destino”? Esse parece ser o espírito do cicloturismo. Respeitar os próprios limites é outra máxima. “É preciso pensar na dinâmica de uma viagem. São muitos dias percorrendo cerca de 50 km diários”, destaca. Uma viagem sozinho e por uma rota bucólica, como o jovem optou dessa vez, é um convite a reflexões e uma oportunidade de escapar do ritmo frenético da cidade.

O planejamento, como em qualquer outro tipo de viagem, é crucial. É preciso conhecer bem o caminho, checar as condições climáticas, investigar a infraestrutura da rota, pensar no nível de autonomia necessário e, claro, avaliar o peso da bagagem.

Alguns grupos de bikers da cidade, bem como algumas agências de turismo, organizam viagens de bike. Para quem quer se aventurar sozinho, no entanto, Bellini dá mais algumas dicas: “É legal começar por uma rota já conhecida, pois fica mais fácil conseguir informações”, diz.

Na internet, uma dica é procurar pelo Clube de Cicloturismo que traz relatos de experiências e fóruns de discussão.

Vale lembrar ainda que os grupos da cidade também organizam pedaladas para cidades mais próximos, na região de Campinas. O próximo passeio está marcado para domingo, dia 13 de março, em Nazaré Paulista. Saiba mais.

Serviço: 

Grupos

Atividades

Campinas Bike Club

http://www.campinasbikeclube.org/blog/

Pedal terça e quinta à noite e nos fins de semana (saída do Parque Taquaral).

Ecosbikers

http://www.ecosbikers.com.br/

Pedal quarta à noite e sábado à tarde, em Barão Geraldo (saída da Praça do Côco).

Mais Aventura

http://www.maisaventura.com.br

Pedal aos sábados de manhã, em Joaquim Egídio.

Domingueiras Bike

http://domingueirasbikeblog.blogspot.com/

Pedal aos domingos

 

Recomendações: é obrigatório o uso do capacete em todos os tipos de passeios de bicicleta. À noite, a bike tem que estar equipada com farol. Luvas e óculos também são indicados.

Aluguel de bikes na Ciclofaixa

A agência Tripway, especializada em turismo de aventura, mantém um ponto no estacionamento da concessionária KIA – Tigá, a partir das 7h da manhã.

 Av. José de Souza Campos (Norte Sul), 1529.

Requisitos para locação:

  • Ter idade acima de 10 anos;
  • Apresentar documento de identificação;
  • Portar um celular com número válido para confirmação;
  • Informar o endereço residencial com número fixo e válido;
  • Possuir um e-mail válido.

Equipamentos inclusos:

  • Capacete (adulto/infantil);
  • Luvas para o condutor;
  • Toca de proteção da cabeça.  

Valores:

  • Por hora – R$ 15 no cartão; R$ 12 em dinheiro.
  • Por período – das 7 às 13h: R$ 68 no cartão; R$ 60 em dinheiro
  • Locação cadeirinha de crianças (0 – 6 anos): R$ 5/hora

3ª Bicicletada

23 de março (quarta- feira) – Concentração às 18h na Praça Arautos da Paz, Taquaral. Saída às 19h.

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