Foto - crédito: Abner Sanches / divulgação

Aniversário de Campinas

E-book “Memórias Esculpidas: A Arte no Cemitério da Saudade” reúne fotos, pesquisa e catalogação de esculturas

7 de julho de 2026

Mais informações sobre o e-book gratuito que revela a arte, história e memória escondidas no Cemitério da Saudade de Campinas

Com a proposta de resgatar e valorizar o patrimônio artístico, histórico e cultural de um dos espaços mais emblemáticos de Campinas, o e-book “Memórias Esculpidas: A Arte no Cemitério da Saudade” foi lançado no mês de junho de 2026. Disponível gratuitamente para consulta online, a revela detalhes sobre esculturas, monumentos funerários e artistas que ajudaram a construir a memória campineira ao longo das gerações. Como desdobramento do projeto, uma exposição fotográfica com imagens das obras catalogadas permanece em cartaz com entrada gratuita até 14 de agosto na Câmara Municipal de Campinas, ampliando o acesso a um acervo cultural ainda pouco conhecido pela população.

A publicação reúne mais de 80 páginas com fotografias, informações históricas e curiosidades sobre o Cemitério da Saudade. Ao todo, 10 esculturas foram selecionadas por sua relevância artística, histórica e simbólica. O trabalho envolveu ampla pesquisa histórica e iconográfica, entrevistas com especialistas e um minucioso registro fotográfico em alta definição, estudando cada obra a partir de critérios como autoria, estilo, técnica, material empregado e contexto histórico para oferecer ao leitor um olhar aprofundado.

O resultado é um livro digital ilustrado que funciona tanto como material educativo quanto como registro de preservação cultural. A iniciativa também contempla a criação de um banco de dados digital e de uma exposição virtual interativa, com o objetivo de ampliar o acesso às informações para pesquisadores, estudantes e o público em geral.

Muito além de um local de sepultamento, o Cemitério da Saudade pode ser compreendido como um verdadeiro museu a céu aberto. As esculturas tumulares guardam marcas de diferentes períodos históricos e refletem transformações sociais, econômicas e estéticas que ajudaram a construir a identidade campineira. Esse reflexo é notado especialmente durante o auge do ciclo do café, época em que Campinas se destacou como um dos principais polos econômicos do país.

Segundo a jornalista Andreia Marques, uma das idealizadoras do projeto, a proposta é resgatar a memória cultural de Campinas por meio de um olhar sensível sobre a arte tumular, que muitas vezes passa despercebida. “Cada escultura conta uma história, não apenas de quem está ali representado, mas também de toda uma época”, destaca.

Foto: Jazigo da família Milani – querubim ao centro simboliza consolo; à direita, a Providência; à esquerda, pai, mãe e filho representam a continuidade da vida. Crédito: Abner Sanches / divulgação

Paula Vialto, também idealizadora, complementa que a quantidade de arte escondida no local é impressionante e que o objetivo é dar visibilidade a obras desconhecidas, ressaltando o potencial de Campinas para consolidar o cemitério como espaço de visitação. “Nosso objetivo é dar visibilidade a obras desconhecidas da população. Em vários países, os cemitérios já são reconhecidos como espaços de arte, cultura e turismo. Campinas também possui esse potencial. Queremos que esta pesquisa seja apenas o começo e que o Cemitério da Saudade passe a ser visto como ele realmente é: um museu a céu aberto”, reforça.

Obras e artistas

Entre os estilos presentes nas obras catalogadas estão o neoclassicismo, com referências à antiguidade clássica e à ideia de eternidade; o realismo, que evidencia a dor e a humanidade; o ecletismo, marcado pela mistura de influências; o art déco, símbolo da modernização estética do século XX; e o modernismo, com sua busca por simplicidade e abstração.

A publicação também apresenta obras que ajudam a compreender a trajetória de artistas como Lélio Coluccini, Patrício Vélez e Giuseppe Tomagnini, nomes que deixaram suas marcas na arte tumular campineira. Mais do que um registro artístico, o projeto propõe uma reconexão da população com sua própria história, transformando o olhar sobre o local e consolidando o espaço como um patrimônio de memória viva da cidade.

O projeto “Memórias Esculpidas: A Arte no Cemitério da Saudade” foi patrocinado pela Prefeitura Municipal de Campinas, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e do Fundo de Investimentos Culturais de Campinas (FICC) 2024 — Termo de Execução nº 129/25.

Lembrando que o projeto “O que te assombra?” tem promovido visitas regulares guiadas no Cemitério da Saudade de Campinas. Saiba mais no perfil @oqueteassombra.

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