Por Luciana de Almeida
A maioria do público, de 40 anos para cima. No rosto, um olhar de quem vai ganhar um presente. E, no meio da plateia, alguns jovens que estavam ali porque cresceram ouvindo Supertramp, obviamente, por causa dos pais. O clima era este mesmo: revival! No sábado, 5 de maio, Roger Hodgson, um dos maiores ícones mundiais do rock progressivo dos anos 70 e 80, esteve na região de Campinas para realizar o último show da turnê “Breakfast in America” pelo Brasil. Dono de uma voz inconfundível, por atingir altos agudos, marca registrada do Supertramp, Roger Hodson fez um show intimista e deixou os fãs em êxtase. O show “para poucos” propiciou estar frente a frente com o ídolo, uma lenda viva do rock que influenciou toda uma geração. Confira as fotos do show!
O cofundador da banda inglesa Supertramp subiu ao palco do Expo América, localizado em Nova Odessa, mostrando que ele era mesmo coração e alma do grupo e cumpriu o que prometeu: fez os fãs sentirem o espírito do Supertramp. Roger se separou do grupo em 1983, quando resolveu seguir o coração. Escolheu viver uma vida simples, com a família e seus valores espirituais. Desde 2002 retomou integralmente as turnês solo. Mas, para quem teve a oportunidade de vê-lo, na nova fase, sabe que está no melhor período de sua vida e musicalmente ainda mais profundo.
Foi a primeira vez que o compositor e arranjador responsável pela maioria dos sucessos da banda de rock progressivo se apresentou na região de Campinas. No show, o multi-instrumentista alternou piano, teclado e violão de 12 cordas e mostrou que, além de ser dono de uma voz única, também é um exímio músico. É claro que para acompanhá-lo trouxe outros excelentes músicos. Destaque para Aaron Macdonald, no saxofone, gaita, teclados, backing vocals, que fez um show à parte, assim como Bryan Head, na bateria, Kevin Adamson, teclados e backing vocals, e David Carpenter, baixo e voz.
O repertório do show passou por clássicos “The Logical Song”, “Dreamer”, “Give A Little Bit”, “Breakfast in America”, “It’s Raining Again”, “Take the Long Way Home” e “Fool’s Overture” entre tantos outros sucessos. Também apresentou a música “Death And A Zoo”, com sons integrados à natureza, mostrando um rock marcante, calmo e profundo de suas composições mais recentes. A canção “Death And A Zoo” é do CD de 2000, chamado “Open The Door”, até agora o último trabalho de estúdio de Roger. Em 2006, Roger lançou um DVD que recebeu prêmios, “Take The Long Way Home – Live In Montreal”, e mais recentemente lançou um CD ao vivo, “Classics Live”, onde apresenta novas versões de seus antigos sucessos, incluindo 4 performances que fez no Brasil, em 2010. O álbum “Open The Door” ficou pouco conhecido no Brasil, já que não foi distribuído na América do Sul e nos EUA, quando foi lançado. Consequentemente poucos conhecem suas músicas e ouvir “Death And A Zoo” no show de Nova Odessa foi um presente àqueles que não conheciam.
Mais sobre Roger Hodgson
Roger Hodgson é um dos fundadores da banda Supertramp, que surgiu em 1969. Ele escreveu e cantou boa parte dos clássicos e sucessos que tornou o grupo reconhecido internacionalmente, um fenômeno do rock mundial com mais de 60 milhões de discos vendidos. Depois de integrar o grupo por 14 anos, em meados da década de 80, ele deixou de forma amigável o Supertramp, justamente quando a banda se encontrava em seu auge.
A banda britânica de rock lançou e emplacou uma série de álbuns de sucesso nos anos 70. No princípio, gravavam mais álbuns conceituais, mas tornaram-se conhecidos mundialmente por suas posteriores canções ao estilo dos Beatles, como “Dreamer”, “Give a Little Bit”, “The Logical Song”, “Breakfast in América”, “Goodbye Stranger” e uma série de outros sucessos. No auge de sua popularidade, era a banda de rock que mais vendia no mundo e alcançou um sucesso tão estrondoso quanto os Rolling Stones.
Mesmo assim, o músico confirma que ter se lançado a carreira solo foi a melhor coisa que aconteceu em sua vida. Isso pode ser percebido nas críticas que vem recebendo desde então: “O maior elogio que o Roger pode receber é que ele provavelmente está melhor ao vivo atualmente do que estava em suas gravações de estúdio há mais de uma geração atrás”, comentou o crítico do jornal inglês, Evening Standard, de Londres, em nota sobre o concerto no Royal Albert Hall. Por conta de suas músicas permanecerem entre as mais tocadas até hoje, o músico recebeu recentemente dois prêmios da Sociedade Americana de Compositores, Autores e Editores (ASCAP).
Para o crítico musical do jornal The Time, assistir ao show de Roger Hodgson é uma experiência única. “Existem poucos vocalistas que são reconhecidos instantaneamente pelos primeiros acordes de uma música e Roger certamente é um desses. O cantor e compositor tem uma voz tão característica quanto o som do teclado de seus sucessos”.
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