Por Mariana de Castro
Em 2021, o Dia das Mães será comemorado no próximo domingo, 9 de maio. A data, na verdade, é uma homenagem que teve origem lá nos Estados Unidos.
A criadora da comemoração foi a americana Anna Jarvis, que após a morte de sua mãe, Ann Jarvis, que ocorreu em 9 de maio de 1905 — a mãe era uma ativista social que, entre outras ações, trabalhou socorrendo soldados feridos, tanto confederados quanto da união, e, nos anos seguintes buscou promover diálogo e paz entre famílias dos dois lados —, realizou um memorial em sua homenagem em maio de 1908, o considerado primeiro Dia das Mães.
Anna Jarvis se comprometeu a fazer com que a data fosse oficializada ao longo dos anos seguintes, e, após a ideia se espalhar por todo o território dos Estados Unidos, em 1914, o Congresso instituiu o segundo domingo de maio como o Dia das Mães no país.
Através da forte influência estadunidense do período, a data teria chegado no Brasil, de acordo com os historiadores, no ano de 1918 e, em 1930 foi oficializada pelo então presidente Getúlio Vargas.
O marketing foi fundamental para a popularização e o estabelecimento da data (hoje uma das mais importantes para o comércio), que adquiriu também um sentido publicitário nunca pretendido (e, sim, criticado) por Anna Jarvis.
Seja comprando ou até fazendo um presente artesanal, ou simplesmente passando um momento gostoso ao lado dela ou mesmo comemorando a data à distância em virtude da pandemia, o importante é reverenciar, reconhecer e agradecer pela vida.
E para a comemoração da data, preparamos uma lista de filmes, de diversos gêneros e para todos os gostos, que falam sobre a maternidade em suas várias formas, e também com títulos nacionais. Confira abaixo e, se tiver outras sugestões, deixe também suas dicas nos comentários ;).
Karina Teles interpreta aqui Irene, uma mãe da classe média brasileira que vê sua vida virar ao avesso quando seu filho mais velho, Fernando, personagem do ator Konstantinos Sarris, é convidado para jogar handebol na Alemanha. Irene passa a lidar então com sentimentos conflitantes sobre a partida do garoto: ela teme perdê-lo e ao mesmo tempo sente-se impelida a deixá-lo ir; ao mesmo tempo ela precisa criar seus outros três filhos, ajudar a irmã Sônia (Adriana Esteves), lidar com o temperamento difícil do marido Klaus (Otávio Muller) e se manter ativa e responsável pela casa.
“Benzinho” foi elogiado pela crítica especializada, tendo ganhado diversas categorias do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. É um filme que permite uma fácil relação de reconhecimento entre a família de Irene e a de quem assiste, pois é brasileiro em toda a força da palavra. O longa de Gustavo Pizzi é delicado e sensível ao falar sobre amadurecimento, sobre família, doação, proteção e sobre deixar ser livre.
Está disponível na plataforma de streaming da Telecine e também no Youtube e no Google Play por R$ 3,90.
“Lady Bird” é uma comédia dramática dirigida, roteirizada e baseada na juventude da diretora Greta Gerwig. Um grande sucesso de crítica, tendo sido indicado em cinco categorias do Oscar de 2018 (Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Direção, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro Original) e tendo ganhado o Globo de Ouro do mesmo ano nas categorias de Melhor filme — comédia ou musical — e Melhor atriz — comédia ou musical — o filme é protagonizado por Saoirse Ronan, com sua personagem Christine “Lady Bird” McPherson, uma jovem de Sacramento, Califórnia, que com o fim de seu último ano de colegial, pretende deixar sua cidade para trás para fazer faculdade em outro lugar — ideia firmemente negada por sua mãe, Marion McPherson, uma enfermeira interpretada por Laurie Metcalf, com quem vive em conflito.
O filme reúne de forma honesta e autoral os dramas tão comuns na adolescência: a experimentação, as descobertas, os confusos relacionamentos,os excessos, a passionalidade de uma personalidade em formação e a rebeldia; mas é na relação com a mãe que o filme atinge sua densidade de maior expressão: as duas vivem em um constante desequilíbrio de amor e conflito que é tão relacionável durante o processo de amadurecimento. É um filme ótimo para assistir com a sua mãe, dar risadas e refletir sobre como as relações se transformam ao longo dos anos e, sobre como as diferenças aproximam.
O longa está atualmente disponível no Youtube e no Google Play por R$ 9,90 (chegou a entrar na Netflix em 2020, mas está indisponível no Brasil atualmente).
Talvez o filme mais diferente da lista “Rosa e Momo” é uma daquelas histórias das quais é impossível não sair emocionado! O longa italiano é uma adaptação de mesmo nome do livro francês de Émile Ajar, pseudônimo de Romain Gary.
Na história, conhecemos Momo (interpretado pelo talentoso Ibrahima Gueye), um menino de 12 anos, imigrante do Senegal e órfão que busca conquistar sua independência através de pequenos furtos e venda de drogas.
Sophia Loren é Madame Rosa, uma senhora e ex-prostituta sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz, que mantém uma creche onde cria e educa filhos de outras prostitutas. É quando a vida dela se encontra com Momo que o filme começa a se desenhar como uma lição de amor incondicional, de maternidade diversa, de salvação e de carinho mesmo em meio aos traumas, às dificuldades da velhice e a violência do mundo. “Rosa e Momo” não é uma narrativa fácil, mas é garantido que você não vai terminar o filme da mesma maneira que começou. Pode ser assistido pelo streaming da Netflix.
Não poderia faltar uma animação na lista para poder incluir as crianças e se divertir em família!
O vencedor do Oscar de 2013 de melhor animação conta a história de Merida, uma jovem princesa criada para ser a sucessora e rainha de
DunBroch. Ela, porém, parece não desejar esse destino, sendo considerada selvagem demais para o delicado e comedido papel real; Merida gosta de explorar o reino cavalgando em seu cavalo Angus, praticar com seu arco e flecha, sonhando com uma vida distante da etiqueta exigida por sua mãe, a rainha Elinor.
Quando Merida se encontra presa em uma situação onde precisa se curvar os desejos de sua mãe e se casar contra sua vontade, ela procura a ajuda de uma bruxa, pedindo para que sua mãe mude (o que não sai exatamente como o esperado); ela agora precisa encontrar uma forma de salvar sua mãe, impedir uma guerra e proteger DunBroch de um mal antigo.
O foco emocional do filme e do desenvolvimento de Merida é sua relação com a rainha Elinor, mostrando que o relacionamento de mãe e filha pode ser repleto de conflitos e discordâncias, mas também de amor, respeito e aceitação.
O filme pode ser encontrado na plataforma de streaming da Disney, a Disney+.
O primeiro filme da trilogia (adaptada da peça de teatro de mesmo nome) traz o ator Paulo Gustavo no papel de Dona Herminia, uma aposentada desbocada e recém-divorciada de seu marido, que é exageradamente superprotetora com seus filhos — já adultos — Marcelina (Mariana Xavier) e Juliano (Rodrigo Pandolfo).
É quando ela foge sem avisar para desabafar com sua tia (Suely Franco), que ela preocupa todos que antes falavam mal pelas suas costas. O filme é uma grande bilheteria do cinema brasileiro e garantiu mais dois filmes que continuam contando as peripécias de Dona Hermínia. É um retrato satírico da maternidade que, ao exagerar, acaba causando empatia e reconhecimento; a comédia escrachada é parte da personagem Hermínia, assim como o amor por seus filhos.
Dona Herminia é a personagem mais famosa criada por Paulo Gustavo, e foi inspirada em Déa Lúcia Vieira Amaral, a própria mãe do ator. Paulo Gustavo estava hospitalizado desde 13 de março em decorrência da Covid-19, e faleceu na noite de quarta-feira, dia 4 de maio.
O filme pode ser visto na plataforma de streaming do Telecine, ou então, por R$ 3,90 no Youtube ou no Google Play.
O musical, que se passa em 1999 na fictícia ilha de Kalokairi, na Grécia, é estrelado por Amanda Seyfried (no papel de Sophie) e Meryl Streep (no papel de Donna).
Donna é proprietária de um hotel em Kalokairi, onde acontecerá o casamento de sua filha Sophie. A jovem desejando ter o pai presente na cerimônia manda 3 convites para 3 homens que acredita que possam ser seu pai: Sam Carmichael (Pierce Brosnan), Harry Bright (Colin Firth) e Bill Anderson (Stellan Skarsgard); Donna, então, tem que reencontrar os três ex-namorados, organizar o casamento no hotel e fugir das insistentes perguntas de Sophie.
A trama é leve com diversos momentos engraçados e emocionantes na cativante relação da mãe e da filha, e a trilha sonora contagia com uma homenagem à história do grupo sueco ABBA (cuja música mais conhecida dá nome ao longa). Se ainda não estiver convencido que o Play vale a pena, talvez os cenários possam te provar o contrário: a locação escolhida para representar a ilha fictícia é a ilha de Skopelos, parte do arquipélago Espórades, e possui lindas praias com águas límpidas, vasta vegetação e construções charmosas que estão presentes nas cenas do filme e sem dúvida vão te encantar!
O filme pode ser conferido no Youtube e no Google Play por R$ 9,90.
Inspirado em uma história real, Judi Dench interpreta Philomena Lee, uma jovem que na Irlanda de 1952 acaba engravidando e é mandada por seu pai para um convento. Lá, seu filho Anthony, de então 3 anos, é tirado dela e adotado por um casal americano.
Depois de 50 anos, Philomena conta sua história para o jornalista Martin Sixsmith (Steve Coogan), que embarca com Philomena em uma jornada entre os dois países (Irlanda e Estados Unidos) em busca de Anthony, revelando segredos profundos da igreja da época contrastados com a fé e a esperança da mãe.
O filme de Stephen Frears é um emocionante relato da profundidade do amor materno e de sua incondicionalidade, dica imperdível, mas precisa ser acompanhada de uma caixa de lenços!
“Philomena” pode ser assistido pelo streaming do Telecine, ou então, por R$ 10,90 no Youtube e no Google Play.
Uma dobradinha com um dos grandes clássicos do diretor, Kill Bill é como se fossem vários filmes em apenas uma história: existe a influência do cinema Wuxia com a montagem característica do estilo, existe a influência da estética Noir, a utilização de recursos de animes (famoso estilo de animação japonesa) e existe a trilha sonora que flutua entre o rock’n’roll dos anos 1950 e o R&B dos anos 70. Mas, mesmo com todos esses elementos diversos combinados com uma forte violência gráfica, Kill Bill ainda é mais que uma história de vingança, é também uma história de amor e reencontro entre uma mãe e sua filha.
Beatrix Kiddo, “A Noiva” (Uma Thurman), é uma assassina profissional que no dia de seu casamento sofre uma emboscada e acaba sendo baleada na cabeça, ficando em coma por quatro anos. Quando ela acorda, ela busca acertar as contas com todos envolvidos na sua execução mal sucedida.
É a pedida perfeita para assistir com aquelas mães que não são tão fãs das narrativas dramáticas ou mais açucaradas, pois promete e entrega muita ação e diversão!
Tanto “Kill Bill I” quanto “Kill Bill II” estão disponíveis por R$ 4,90 no Youtube e no Google Play.
Bao é um curta-metragem de animação que à primeira vista parece inicialmente um conto fantástico: uma mulher chinesa acaba vendo um de seus bolinhos (Bao é um tradicional pão de origem chinesa que pode ser feito com diversos recheios) ganhar vida.
Decidindo criar o bolinho, acompanhamos ao longo dos 8 minutos do curta a relação que eles desenvolvem ao longo do crescimento do “menino”.
Quando ele começa a se tornar mais independente e ter outras prioridades fora da vida familiar, a mãe acaba não sabendo lidar bem com a situação, e, o que parece uma narrativa fantasiosa acaba se transformando em uma delicada metáfora sobre o amor materno, a rejeição, o medo do abandono, idealização, a superproteção, o amadurecimento e a abertura para novas possibilidades de coexistir.
O curta, vencedor da categoria do Oscar de 2019, pode ser encontrado gratuitamente na internet ou no streaming Disney+.
E vamos fechar a nossa lista com um clássico dos anos 1960! Em “A Noviça Rebelde”, acompanhamos uma abordagem diferente sobre a maternidade. No longa, Maria, interpretada por Julie Andrews, é uma jovem noviça extrovertida que sente dificuldades em se adaptar à rotina do convento do qual faz parte. Ela, então, é encaminhada para atuar como governanta na casa dos Von Trapp.
Na residência, Maria passa a cuidar dos 7 filhos de Georg Von Trapp (personagem de Christopher Plummer), capitão naval e patriarca da família. Com a criação militar que o viúvo Von Trapp oferece às crianças, Maria se depara com diversos desafios até que consiga mudar a dinâmica da família através de sua paciência, seus cuidados e carinho.
No decorrer do longa, a relação de Maria com as crianças se desenvolve a ponto de criar um laço familiar e materno, mostrando que a maternidade pode vir de diversas formas e formatos, não dependendo unicamente de laços sanguíneos.
O filme pode ser conferido no streaming Disney+.
E aí? Qual foi o seu escolhido para homenagear ou assistir junto com a sua mãe nesse dia especial?
Conta pra gente!
Foto acima: cena do filme “Lady Bird” – reprodução / Foto home: “Minha Mãe é uma Peça” – reprodução
Newsletter:
© 2010-2026 Todos os direitos reservados - por Ideia74