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Único no Brasil: símbolo da Realeza, centenário carro austríaco é a mais nova atração do Parque Dream Car de São Roque (SP)

por Marcos Craveiro
Publicado em 3 de janeiro de 2026

Fabricado pela empresa Gräf & Stift, modelo S3 Cabriolet Grand Imperial ano 1924 acaba de chegar para exposição no empreendimento, que está localizado a apenas 60 km da capital paulista e, ao completar dois anos de operação, presenteia os visitantes com estacionamento gratuito em dezembro

O Parque Dream Car de São Roque, que completa dois anos de operação neste mês de dezembro, presenteia os fãs com mais uma novidade: a exibição de um carro que é o único existente no Brasil e uma das 20 unidades restantes no mundo. Trata-se do Gräf & Stift S3 Cabriolet Grand Imperial ano 1924, fabricado na Áustria. O modelo pode ser contemplado juntamente com as demais raridades do acervo do Dream Car Museum, composto por 165 veículos, entre automóveis, picapes, motos e bicicletas. Primeiro parque automotivo temático do Brasil e distante apenas 60 km da capital paulista, o Dream Car apresenta outras duas novas atrações: o espaço Cinecar, com 12 carros de cinema, e o Museu da Fórmula 1, com 6 bólidos de corrida. Além disso, durante todo o mês de dezembro o estacionamento será gratuito para os visitantes.

Símbolo de luxo e status digno da realeza, o S3 Cabriolet Grand Imperial teve apenas 250 unidades produzidas, o que o tornava um veículo exclusivo já na década de 1920. Este exemplar, em específico, é o S3 número 1, o protótipo da série, tornando-o ainda mais especial. Depois de fabricado na Áustria em 1924, esta unidade foi enviada ao Reino Unido para a construção da carroceria, prática comum na época. Em 1928, foi registrado no Brasil pelo empresário Alfredo Eulálio Pohlmann, proprietário dos Grandes Armazéns de Paris. Apesar disso, o seu verdadeiro primeiro dono permanece desconhecido. Porém, há indícios de que possa ter pertencido a Manuel de Tefé, aristocrata brasileiro e pioneiro das corridas; a Alberto Santos Dumont, lendário aviador; ou a membros da família imperial, como o príncipe Dom Pedro de Alcântara. Quase quatro décadas depois de desembarcar no País, em 1967 foi localizado por Flavio Marx no Rio de Janeiro. Mais recentemente, teve início a restauração, que foi liderada pelo antigomobilista Malcom Forest e levou cerca de 5 anos, terminando em 2022, especialmente para as celebrações do bicentenário da Independência do Brasil. Uma curiosidade: Malcom Forest – que também é cantor, compositor, maestro e cineasta – é o criador dos termos antigomobilista e antigomobilismo.

O processo seguiu os mais rigorosos padrões mundiais, incluindo os da Federação Internacional de Veículos Antigos (Fiva), com uma atenção de nível museológico em relação à autenticidade. O chassi número 3248/250 é totalmente original, assim como motor, carroceria e sistemas mecânicos. A pintura externa foi desenvolvida em laboratório pela Sherwin-Williams em São Paulo: o Grenat/Borgonha da carroceria faz alusão ao vermelho da bandeira do Império Austro-Húngaro, enquanto o verde escuro presente nos para-lamas e na lateral remete à Casa de Bragança. Já os estofamentos e acabamentos utilizam tons originais preservados com extremo cuidado. Depoimentos de ex-funcionários da fábrica Gräf & Stift e colecionadores austríacos renomados confirmam a sua importância histórica. Em resumo: não se trata de uma réplica, é um exemplar original, único e certificado. “Mais do que um veículo, este Gräf & Stift S3 é uma ponte histórica única, conectando impérios, inovação e o caminho do Brasil rumo à independência. Restaurado não apenas em sua forma, mas também em seu significado”, sintetiza Malcom Forest.

 

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