Fim dos Créditos

Sam Raimi faz de Socorro! um terror com leveza cômica e selvageria sobre o mundo corporativo

por João Felipe
Publicado em 6 de fevereiro de 2026

A primeira Semana do Cinema de 2026 chega trazendo a mescla entre terror e humor de Sam Raimi, mais conhecido por obras pretéritas como sua trilogia do Homem-Aranha de Tobey Maguire no início dos anos 2000 e a cultuada franquia americana de terror sobrenatural Evil Dead (A Morte do Demônio). Em Socorro! Linda Liddle e seu chefe Bradley sofrem um acidente de avião e ficam ilhados. Para sobreviver, terão que resistir a recursos escassos e antigos conflitos entre ambos. 

Não é um enredo que se mostre inédito, ou nunca explorado. Na verdade, Sam Raimi se adequa por puxar muito de outras histórias e gêneros distintos para brincar a sua forma com as decisões narrativas e visuais de seu novo projeto. A apresentação dos personagens, que aparenta ser mais formal dado seu objetivo de estabelecer papéis, já demonstra algumas escolhas de alguém que sabe utilizar planos e ângulos de seu próprio jeito. Linda é a profissional 100% da empresa, a quem veste a camisa e faz tudo pelo escritório, desde suas funções a conexões sociais. Enquanto Bradley é o filhinho que herdou a cadeira de presidente do pai e só parece interessado em seus desejos pessoais. E a primeira grande escolha do diretor é pegar este assunto é inverter os papéis quando a dinâmica entre os dois se mostra a única conexão para sobreviver ao acidente. 

E a partir disso, esse jogo de tensão entre os dois protagonistas e as reviravoltas são a base para que Raimi se divirta em utilizar os recursos de terror que constrói desde Evil Dead. Claro que se compararmos os recursos entre os dois filmes, há muita diferença, mas aqui em Socorro! O divertido é sentir que algumas vezes haverá um conflito, outras vezes haverá paz. Então algo acontece e ambos viram inimigos mortais e após uma conversa o filme se torna uma espécie de comédia romântica. Tudo muito coeso sem perder o suspense. 

E levado de maneira leve, como se o autor quisesse brincar ou descontrair uma situação claramente ameaçadora. Extrai dessa inversão de papéis a principal discussão acerca do mundo corporativo de uma empresa. Onde há nítido um machismo enraizado, que se alimenta do estereótipo fraco, na ilha o que se mostra é o completo oposto, com a maior parte do tempo tendo Linda em controle e saboreando desse poder. 

É Sam Raimi fazendo o que sabe de melhor, sendo muito justo e eficiente em todas as decisões durante a trama. Sem fugir de suas técnicas.

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