Fim dos Créditos

O cinema é das mulheres!

por João Felipe
Publicado em 21 de agosto de 2026

O cinema brasileiro não carrega nomes femininos relevantes apenas em frente as câmeras. As autoras ganham destaque dentro da indústria, seja no cinema mais comercial ou de gênero. São visões distintas das que vemos comumente. Temos diretoras mais independentes e premiadas mundialmente trazendo um debate acerca da sociedade em suas obras. Aqui trago alguns nomes e um pouco das filmografias, destacando minha preferência. Aproveite!

JULIANA ROJAS

Natural de Campinas e formada pela ECA-USP, Juliana Rojas é um dos destaques do cinema contemporâneo e de gênero no Brasil. Desde a faculdade e em alguns projetos de sua carreira, contou com a parceria do diretor Marco Dutra para explorar as vertentes do terror e suspense inseridos em uma ótica social.

Entre seus projetos, Juliana tem uma ótima experimentação do terror com o humor em “Sinfonia da Necrópole”. Parte para o lado mais fantástico em “As Boas Maneiras”, mas em “Trabalhar Cansa” é onde está sua obra de maior realce. Nele, acompanhamos Helena e sua família. Após o marido perder o emprego, ela se vê na situação de tomar as rédeas da liderança de sua casa, no cuidado e na parte financeira. Decide abrir uma mercearia para conseguir manter a estabilidade dentro do lar. Essa é uma visão muito crítica a cerca do sistema sendo a destruidora de uma base familiar da classe média brasileira.

* “Trabalhar Cansa” está disponível no YouTube.

 

ANNA MUYLAERT

Anna já é consolidada dentro do cenário cinematográfico brasileiro e explora de maneira sensível as diferentes relações entre pessoas. Algumas vezes pela diferença de gêneros, outras vezes pela classe social. É ela a autora do aclamado “Que Horas Ela Volta?”, filme selecionado para representar o Brasil no Oscar em 2015 e protagonizado por Regina Casé.

“Durval Discos” é o primeiro longa-metragem da carreira e provavelmente o mais distinto entre todos os projetos. Durval é o dono de uma loja de discos em São Paulo, onde também reside. Ele precisa dividir atenção entre seus clientes e os cuidados necessários de sua mãe. Assim como um disco, a trama utiliza a brincadeira de lado A e lado B para seu enredo, onde no início trabalha mais a construção de Durval com clientes e colegas e de acordo com o andamento vai se mostrando algo mais surreal e descabido da situação.

* “Durval Discos” está disponível no YouTube.

 

LAIS BODANZKY

Outro nome com certa consolidação na indústria. Lais e Anna fazem parte da mesma geração de autores brasileiros que iniciaram a carreira na entrada dos anos 2000. A diretora carrega diversos prêmio e indicações a nível nacional, em premiações como o Prêmio Grande Otelo e o Festival de Gramado.

Sendo a mais versátil das três desta lista, a paulista tem entre os títulos já produzidos, “Bicho de Sete Cabeças”, com Rodrigo Santoro e “Como Nossos Pais”, com Maria Ribeiro e Paulo Vilhena. Aqui, o destaque vai para o longa “Chega de Saudade”, que carrega o nome de um clássico da Bossa Nova, não somente no título, como também em sua trama. Um antigo salão de dança é o ambiente onde diferentes pessoas se encontram para curtir uma noite de música e bebidas. Ali, passado, presente e futuro navegam de maneira ritmada pela pista e nas conversas entre os que aproveitam o som regado de boas companhias.

* “Chega de Saudade” está disponível no YouTube.

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