O diretor dinamarquês Carl Theodor Dreyer tem um lugar especial na programação do Cineclube do Museu da Imagem e do Som (MIS) Campinas, no mês de abril.
Sob a curadoria de Priscila Salomão, serão exibidas seis obras do diretor entre os dias 18 e 26 de abril.
Biografia
Filho de uma empregada doméstica que teve um caso com o patrão, Dreyer nasceu na Dinamarca e foi adotado por um casal luterano, o que acabou influenciando a carreira no cinema, pois ele frequentemente abordava temas religiosos nos filmes.
Formado em jornalismo, passou a trabalhar como técnico na Nordisk Film e foi contratado como roteirista. “O Presidente” é considerado seu primeiro filme, mas o maior sucesso é “A Paixão de Joana d’Arc” (1928), considerado uma obra-prima do cinema mudo.
Nas décadas seguintes avançou na carreira, produziu vários filmes na Alemanha, pois gostava da iluminação presente no expressionismo alemão. A fotografia extremamente contrastada dessa escola cinematográfica era ideal para Dreyer, pois conseguiria elementos estéticos para revelar o universo interior das pessoas.
"A Palavra" ("Ordet"), de 1955, foi mais um filme que consagrou o diretor. Trata-se de um produção sobre fé e milagre, através de uma perspectiva muito peculiar. Dreyer foi influenciado pelas teorias do filósofo dinamarquês Kierkegaard nesse filme.
"Gertrud", de 1964, foi seu último filme. Retrata uma mulher vivendo um casamento sem perspectivas. Foi bastante criticado, mas hoje é considerado uma obra importante do cineasta.
É importante destacar em Dreyer o fato do cineasta tentar absorver o máximo possível do ator, tentando reproduzir o sentimento das personagens, penetrar em profundos pensamentos por meio de expressões. Antes de morrer, Dreyer declarou que gostaria de filmar "A Paixão de Cristo". Hoje, o também cineasta dinamarquês Lars von Trier se diz discípulo de Dreyer.
Confira a programação
18/04 – “Mikael”
Baseado no romance de Herman Bang, com sutil inspiração no clássico da mitologia grega que narra a relação de Júpiter e Ganimedes. A história conta um triângulo amoroso entre o renomado pintor e escultor Zoret, seu protegido e assistente Mikael e a princesa Zamikoff, uma aristocrata "femme fatale".
Atraído e seduzido pela beleza da jovem princesa, Mikael começa a distanciar-se de Zoret, e este começa a amargurar-se com a solidão. Co-escrito pela esposa e colaboradora de Fritz Lang, Thea Von Harbou e fotografado pelos dois maiores diretores de fotografia do cinema mudo, Karl Freund e Rudolph Mate.
19/04 – “A Paixão de Joana d'Arc”
Versão muda da história de Joana D’Arc (1412-1431), a heroína francesa que foi traída, julgada, condenada por heresia e feitiçaria e levada à morte na fogueira.
20/04 – “O Vampiro”
A história gira em torno de um homem chamado Allan Grey, estudioso de vampiros, que chega a uma cidade para investigar o sobrenatural e acaba numa estalagem semi-abandonada onde encontra um enigmático velho com suas filhas.
21/04 – “Dias de Ira”
Em uma pequena aldeia, uma jovem madrasta se envolve com o filho de seu marido pastor, que está de volta ao vilarejo. Quando fica sabendo da relação, o pastor morre e, durante seu funeral, sua mãe acusa a jovem de bruxaria.
22/04 – “A Palavra”
Uma família de fazendeiros unida por forte laços emocionais, passa por momentos de tensões provocados por pequenas desavenças. Sua rotina após retorno de um dos filhos do patriarca é modificada pela sua aparente loucura, que, tudo indica, deriva de um estudo radical teosófico, que o fez acreditar ser Jesus Cristo. Nem todos aceitam que Johannnes Borgen seja demente e fanático e essa situação estará a prova depois do que um ente querido fica doente.
Adaptação da peça teatral de Kaj Munk, pastor e dramaturgo muito conhecido nos países escandinavos, que foi assassinado pelos nazistas. “A Palavra” é considerado uma obra-prima dentre os filmes que exploram o poder da fé do amor e do sobrenatural e isso se deve a maneira "realista" e "naturalista" que enfoca o tema.
Ovacionado no Festival de Veneza, com o Leão de Ouro em 1955, é considerado um dos mais belos filmes em preto e branco já produzidos.
23/04 – “Gertrud”
Gertrud, esposa de um aristocrata, vive um tedioso casamento e mantém paralelamente um relacionamento extraconjugal. Acreditando que, assim, encontrará a fórmula do amor perfeito. Três homens (seu marido, um poeta e um pianista) a amam, mas nenhum deles será capaz de colocar o amor acima de suas ambições materiais. Gertrud só aceitaria o amor nos seus termos, profunda sinceridade e total entrega.
Esta obra de Deyer é uma adaptação da peça teatral escrita em 1906, pelo dramaturgo sueco Hjalmar Soderberg, onde a protagonista foi inspirada na mulher com a qual manteve um romance intenso. Dreye dirigiu “Gertrud” com delicadeza e sensibilidade hipnótica, com poucos planos e uma rigorosa fotografia.
Serviço:
Ciclo de filmes – Carl Theodor Dreyer
Local: MIS Campinas, Palácio dos Azulejos, Rua Regente Feijó, 859, Centro. (19) 3733-8800
Data: de 18 a 23 de abril
Horário: 19 horas
Entrada: gratuita
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