Em virtude da cessão de parte da Estação Cultura pelo Governo Federal ao Estado de São Paulo para as obras do Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte, a Prefeitura de Campinas vai reorganizar e ampliar a rede de espaços voltada a eventos e aos cerca de 80 grupos de cultura que utilizam o local.
Em coletiva realizada na Prefeitura na manhã desta sexta-feira, 18 de setembro de 2026, a secretária de Cultura e Turismo, Alexandra Caprioli, apresentou as ações que preveem uma transição escalonada, com as atividades sendo mantidas na Estação Cultura até o final do ano, e mudanças para novos endereços a partir de janeiro de 2027.
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A secretária explicou que mesmo com a chegada da concessionária TIC Trens para a operação ferroviária, o serviço não ocupará a totalidade da Estação Cultura. A área remanescente, a partir do saguão, continuará sob a gestão da secretaria de Cultura e Turismo de Campinas.
Para complementar a infraestrutura a partir de 2027, as atividades serão realocadas para locais como o Clube Cultura (Avenida Anchieta), o Teatro Bento Quirino (Rua Luzitana), o CIS Guanabara (que continua sendo gerida pela Unicamp com atividades que permanecem, e com parceria com a Prefeitura a partir de 2027), a Casa do Hip Hop e a Sala Toninhos (ambas na Rua Francisco Teodoro), além do Prédio do Relógio para eventos de médio e grande porte.
“O saguão principal permanecerá com a secretaria de Cultura e será utilizado pelos grupos culturais, porém a plataforma em si já fica indisponível para eventos a partir de 2027”, comentou Alexandra.
Ainda segundo a secretária, transição do espaço foi planejada de maneira gradual para preservar eventos já agendados. A primeira etapa teve início em 14 de setembro com a montagem do canteiro de obras. Até 15 de outubro, ocorre a desocupação de salas administrativas, com entrada da concessionária prevista para 19 de outubro. Durante todo o mês de novembro, a plataforma segue com acesso integral para eventos que já estavam agendados, como Campinas Hip Hop, Campinas Matusuri e Feira Mística. A partir de 1º de dezembro, a TIC Trens passa a ocupar cerca de metade da plataforma nos fundos, mantendo o trecho restante liberado para a programação até 31 de dezembro de 2026.
“Todos os eventos, todos os coletivos, todos os fazeres culturais da Estação Cultura estão mantidos este ano, no mesmo formato”, garantiu a secretária.
Para a realocação dos grupos culturais para os outros espaços que serão disponibilizados pela Prefeitura haverá um período de diálogo com os representantes, de acordo com a secretária. Ela explicou ainda que será feita uma atualização de cadastro de todos os grupos atuantes como parte do processo de transição.
Todos os grupos que realizam atividades na Estação Cultura deverão preencher um formulário, inclusive aqueles que já possuem cadastro junto à Secretaria de Cultura. De acordo com a administração municipal, parte das informações foi registrada há vários anos e pode ter sofrido alterações, como responsáveis, contatos, número de participantes e características das atividades. O formulário estará disponível para preenchimento no período de 18 de setembro a 30 de novembro de 2026. Iniciativas culturais que ainda não utilizam os espaços públicos da Secretaria de Cultura e Turismo, mas têm interesse, também poderão preencher o formulário e informar as características da atividade que pretendem realizar.
“A Cultura vai acolher todos os grupos. A gente não deixará nenhum evento, nenhum coletivo, nenhum fazer cultural sem ser acolhido. Esse formulário é muito importante porque ele dá um panorama para que a gente se reúna com cada um desses grupos e possa realocá-los de forma adequada, com o desejo deles, e no local que os receba da melhor maneira”, comentou Alexandra Caprioli. “Esse formulário visa a gente conhecer um pouco mais a demanda deles, porque tem dias da semana, às vezes à noite, e aí os espaços que estão nos acolhendo também com agenda livre. O que tem muito barulho, por exemplo, não pode ser alocado do lado do ensaio de uma peça teatral. Nossa maior preocupação é alocá-los sempre conversando com os grupos. Lembrando que a Estação permanece com várias salas, então, muitos coletivos usam essas salas que permanecerão, só que essas salas vão receber outros grupos que estão hoje em salas que não estarão mais disponíveis”, complementou.
Segundo a secretária, o projeto do trem representa um importante impulso para o desenvolvimento da cidade, trazendo uma nova mobilidade urbana e sendo a maior mudança estrutural dos últimos 40 anos, e que o processo está sendo conduzido em diálogo constante com a concessionária para garantir o respeito aos processos e a preservação da produção cultural da cidade. “O projeto do trem é muito bem-vindo a Campinas e representa uma oportunidade importante para o desenvolvimento do turismo, da economia criativa e da circulação de pessoas pela cidade. Ao mesmo tempo, nosso compromisso é garantir que esse avanço aconteça preservando a produção cultural que já existe na cidade. Para isso, mantemos um diálogo constante com a concessionária TIC Trens, buscando construir uma transição escalonada, com respeito aos processos e, principalmente, garantindo a continuidade das atividades culturais e dos eventos já programados”, disse.
Alexandra Caprioli comentou ainda a empresa está comprometida em fazer o restauro da Estação Cultura, o que deve ocorrer em 2028.

Futura entrada de passageiros
O Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte será o primeiro trem de média velocidade do país, atingindo até 140 km/h, com capacidade para 860 passageiros por viagem e trajeto estimado em 64 minutos ao longo de 101 km entre São Paulo e Campinas. Com início das operações previsto para 2031, o transporte expresso oferecerá assentos marcados e espaço para bagagens e bicicletas.
O projeto contempla ainda o Trem Intermetropolitano (TIM), serviço parador previsto para 2029 que ligará Jundiaí a Campinas em percurso de 44 km (33 minutos de viagem), com paradas em Louveira, Vinhedo e Valinhos. A iniciativa também abrange a modernização da Linha 7-Rubi. No total, a estimativa é atender 11 municípios e cerca de 672 mil passageiros diariamente, aliviando o tráfego rodoviário nos horários de pico e estimulando o desenvolvimento econômico regional.
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