Adaptação de mais um livro de Andy Weir, sua outra obra foi o famoso “Perdido em Marte”, na parceria entre Matt Damon e Ridley Scott. “Devoradores de Estrelas” parte para uma missão desconhecida por seu protagonista e a nós mesmos, que caminhamos juntos com Ryland Grace para desvendar o que está fazendo dentro de uma nave, a anos luz da Terra e, principalmente, sozinho.
O filme aposta em um tom completamente simplório e praticamente pensando como tudo na medida certa para não se aprofundar na complexidade de suas discussões. A trama coloca o Dr. Grace acordando solitário em sua nave, inconsciente de si e do seu propósito e vai utilizar de problemáticas corriqueiras da atual situação com flashbacks para explicar didaticamente todas as soluções que apareçam na frente. Toda essa estrutura está sempre acompanhada de um humor precisamente calculado, com extremo receio de se desafiar ou sair da comodidade.
No decorrer da história descobrimos que a missão de Grace é, resumidamente, impedir a rápida degradação do Sol de nosso sistema solar e, consequentemente, afetar a vida humana na Terra. O que acaba não se fortalecendo no discurso é justamente a própria humanidade não apenas de Ryland, mas de todos os personagens. São raros os momentos em que a dupla de diretores Phill Lord e Christopher Miller atingem o objetivo de encenar um apelo emocional em prol de uma certa empatia com outros humanos.
Quando não há gás para alcançar esse debate, em outros tantos momentos o discurso científico e todo o fascínio pela resolução das situações que surgem uma após outra emergem para a camada principal e dificultam a compreensão e a essência mais leve, otimista e humana se perde. Por vezes, é possível ver uma emulação de “Perdido em Marte”, algo que ao meu ver, caminha para uma direção oposta.
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