Spielberg volta ao gênero que o consagrou como um dos maiores representantes dos blockbusters estadunidenses, a ficção científica, para abordar toda a mística da ufologia e segredos guardados de uma maneira diferente. Não para apontar que as grandes instituições governamentais escondem informações extremamente importantes da população, mas para focar a atenção sobre essa mesma população que participa de uma espécie de experiência coletiva reveladora de si mesma em relação à vida e o universo. É o fascínio da expectativa sobre o desconhecido, o momento do choque, da descoberta. Registrar as emoções humanas diante de um elemento extraordinário.
É, portanto, que os personagens Margaret (Emily Blunt) e Daniel (Josh O’Connor) guiarão a narrativa de maneiras semelhantes, porém com olhares e jeitos distintos. A primeira, até cômica, é inserida na ação principal de maneira não intencional, e irá, juntamente com o espectador, se descobrir dentro de todo o contexto. O segundo tem uma atitude mais inocente, juvenil, agindo de forma mais instintiva, não sabendo ao certo o tamanho de sua importância no enredo. São personagens guias do acreditar no algo não concreto. De não entender os seus movimentos e da incerteza das ações que tomam serem as corretas para o melhor desfecho.
O autor que costuma inserir seus protagonistas diante de ameaças, a priori, impossíveis de confrontar, insere no discurso que desta vez as próprias ações humanas sejam a ameaça de um possível caos social. Isso, claro, através da boca de seus antagonistas. Por vezes tenta experimentar recursos de ação dentro de um suspense dramático, mas que não parece estar encaixado da melhor maneira.
“Dia D” é mais do que alienígenas escondidos pelo governo e todas as especulações se estamos sozinhos neste universo. É um discurso um tanto positivo sobre uma sociedade desacreditada e iludida com seus líderes que mais se preocupam com si mesmos. É o exercício do acreditar, da fé, da esperança.
Newsletter:
© 2010-2026 Todos os direitos reservados - por Ideia74