Fim dos Créditos

O amor e o melodrama

por João Felipe
Publicado em 13 de março de 2026

A linguagem do cinema é uma ótima fonte de explorar o amor. Pela subjetividade na forma de contar sua história. É possível utilizar representações que permitem ao espectador criar uma conexão íntima e profunda com o objeto trabalhado.

E não apenas celebrar este sentimento, mas debater, demonstrar facetas pouco exploradas ou discutidas na sociedade, partindo de diferentes visões de mundo. O melodrama, por exemplo, possui em suas características o exagero de emoções refletidas no peso dramático de suas ações performáticas.

Deixarei 3 indicações que abordam o assunto em diferentes tempos e formatos!

“ANTES DO AMANHECER” (1995)

Mal sabiam na época que “Antes do Amanhecer” seria tão aclamado pelo público que, anos depois, se tornaria a famosa “trilogia do amanhecer”. Jesse e Celine se conhecem casualmente em um trem para Viena. Os dois desembarcam e decidem passar o dia juntos passeando pela cidade. Em meio a conversas e reflexões, nasce um lindo laço de paixão, embora ambos saibam que no dia seguinte seguirão caminhos distintos, podendo nunca mais se encontrar.

É muito bonito, simples e filosófico como Richard Linklater constrói o universo em volta dos protagonistas. Uma viagem à Europa é, portanto, uma fotografia da história firmada na arquitetura e em cada rua, assim como na história viva de duas pessoas que ocorre em frente a câmera. Por planos longos nós conhecemos os dois, nos afeiçoamos, observamos os extensos diálogos em um mundo ao mesmo tempo realista e fantasioso nos pequenos detalhes.

Disponível em: Telecine

“AS PONTES DE MADISON” (1995)

A figura do famoso ator Clint Eastwood muitas vezes está apenas atrelada ao cowboy de filmes de faroeste, o que não deixa de ser uma verdade, marcando seu nome na parceria com o italiano Sergio Leone. Porém, tanto quanto na atuação, possui um trabalho primoroso como diretor. Em “As Pontes de Madison” ele dirige e protagoniza juntamente com a brilhante Meryl Streep, interpretando Francesca. Através de cartões lidos pelos filhos, descobrimos o envolvimento da moça com Robert Kincaid, fotografo de revista, em um período de quatro dias que passa longe da família, sozinha em casa. A mãe e esposa se questiona a todo tempo sobre o efeito de suas ações com o homem que acabou de conhecer.

Brilhantemente o autor insere sua vivência neste filme. Como seus personagens de faroeste, Robert é um estranho, vindo de longe, chegando em um local desconhecido. Um homem sem amarras, até pelo menos encontrar Francesca. Ela, por outro lado, está presa em seu relacionamento, na sua vida simples, porém limitada. Vê no fotógrafo uma ressignificação de sua vida, o amor que dará a ela a chance de se libertar, passando por um mundo de questionamentos sobre como as outras pessoas enxergarão suas atitudes. Uma obra-prima do início ao fim.

Disponível em: HBO Max

 

“RETRATO DE UMA JOVEM EM CHAMAS” (2019)

Produção mais recente da lista, a trama é ambientada na França do século XVIII. Marianne é contratada para pintar um retrato de Héloise para seu casamento sem que ela saiba. Passando os dias observando a jovem, a artista desenvolve cada vez mais uma aproximação com sua modelo, embora saibam que essa relação terá seu fim com o iminente matrimônio.

Produção francesa de 2019, aqui temos um trabalho do olhar feminino muito bem executado na conexão entre ambas. Héloise se encontra em profunda tristeza por não ter a liberdade desejada. A artista Marianne tem a difícil missão de extrair a beleza de uma fonte que, no momento, não existe. É preciso então procurar outras facetas, criar uma relação íntima. A autora, quando não está na figura do trabalho, enxerga o belo de sua referência. E sua musa se descobre sob uma nova ótica. Um amor construído, principalmente, na troca de olhares.

Disponível em: Prime Vídeo

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