Durante séculos, peregrinos de toda a Europa partiram de diferentes pontos em direção a Santiago de Compostela. Agora, o Mediterrâneo ganha um novo ponto de partida: Malta. A ilha passa a integrar oficialmente a rede de rotas do Caminho de Santiago com o chamado Caminho Maltês, um percurso que liga culturas, histórias e paisagens ao longo de cerca de 3.600 quilometros.
A nova rota não se limita ao arquipélago maltês. Depois de deixar Malta, o caminho segue pelo mar em direção à Sicília, passa pela Sardenha e por Barcelona, conectando-se finalmente às tradicionais rotas espanholas que levam à Galícia. A inclusão de Malta como ponto inicial do percurso surgiu de uma iniciativa de várias entidades locais, entre elas a Heritage Malta, que viram na história e na posição geográfica da ilha um elo natural entre o Mediterrâneo e o famoso itinerário de peregrinação.
Embora o Caminho Maltês faça parte de um percurso muito mais longo, o trecho dentro de Malta é relativamente curto, com cerca de 35 quilómetros. A jornada começa na Gruta de São Paulo, em Rabat, um lugar profundamente ligado à tradição cristã. Segundo a narrativa histórica, foi ali que o apóstolo Paulo se refugiou e pregou durante três meses após um naufrágio ocorrido por volta do ano 60 d.C., tornando o local um importante centro de devoção e peregrinação.
A partir dali, o percurso segue por paisagens históricas até Żejtun, atravessa parte do sul da ilha e continua até Birgu, uma das cidades mais antigas e encantadoras do arquipélago. O destino final é o imponente Forte de Santo Ângelo, que domina o Grande Porto e guarda séculos de história ligados aos Cavaleiros de São João.
Não foi por acaso que o forte foi escolhido como a última paragem do percurso maltês. Além da sua importância militar e estratégica ao longo da história, o local simboliza a ligação entre Malta, as rotas marítimas mediterrânicas e a espiritualidade que sempre acompanhou os peregrinos. Perto da entrada do forte será instalada uma placa indicando a direção da Galícia, lembrando que, dali em diante, o caminho continua pelo mar.
Depois de chegar a Valletta, os peregrinos atravessam o porto e seguem de ferry para a Sicília, dando continuidade à jornada rumo a Santiago de Compostela.
O Forte de Santo Ângelo foi também palco da apresentação oficial do Caminho Maltês. Durante o evento, foram explicadas as origens da rota e como os viajantes podem iniciar a peregrinação a partir de Malta. A iniciativa contou com o apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Europeus e do Comércio, através da Embaixada de Malta em Espanha, da Autoridade de Turismo de Malta, da Heritage Malta e da Xircammini, a associação que representa o país na Federação Internacional das Associações de Amigos do Caminho de Santiago.
Mais do que um novo percurso espiritual, o Caminho Maltês é também uma forma diferente de explorar o Mediterrâneo — caminhando por entre fortalezas, cidades históricas e paisagens costeiras antes de seguir rumo a um dos destinos de peregrinação mais emblemáticos do mundo.
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