O 7º filme de “Pânico” chega parelho as duas últimas produções dessa grande franquia do terror americano. Cai na tentativa de emular os elementos que Wes Craven, diretor dos 4 primeiros longas, soube orquestrar com muito sucesso unindo o “terrir” (subgênero que une terror e comédia) com as convenções de um whodunnit, ou seja, a existência de um assassino serial misterioso que sempre será alguém ligado ao núcleo principal de personagens. E para manter este mesmo estilo por tanto tempo dentro de uma mesma franquia, é preciso, de certa forma, se reinventar. Infelizmente não é para onde caminha o Ghostface.
“Pânico 7” traz novamente o embate interminável entre Sidney e o assassino da vez. Aqui, o passado não apenas volta para atormentá-la, como também a sua família, forçando a protagonista a “sair da aposentadoria” e reviver os velhos tempos sangrentos e mortais.
Emular algo nem sempre é ruim. Craven não teve tanto sucesso com “Pânico” à toa. Ele explorou esse campo da sátira de seu próprio gênero dentro do filme, usando da metalinguagem para brincar com as regras não escritas de um slasher. Um filme sobre um filme, personagens conscientes que ultrapassam essa barreira da 4ª parede, que por vezes parecem estar falando em frente a um espelho, sobre si, fora daquela ficção. Auto referências dentro do seu próprio universo. Se tudo isso estivesse apenas na escrita e na boca dos personagens, não serviria de nada. É por isso que munido de elementos visuais pensados, ele combinou estes fatores para rir do medo. O que parece estar acontecendo desde a retomada dos filmes em 2022 é somente uma procura de imitar todo o legado.
Neste novo longa, Kevin Williamson, nome que assinou o roteiro das produções originais e agora senta na cadeira de diretor, esqueceu que não apenas está ali para escrever o texto, mas pensar no principal, a imagem. Aqui tudo parece uma ideia legal na teoria, porém sem nenhum interesse no que o espectador observa. Desde escolhas simples onde duas personagens habitam o mesmo ambiente a cenas que, deveriam criar tensão, não se sustentam no visual.
Pegarei, por exemplo, um cenário que se repete algumas vezes. Uma garagem de casa em construção. Um espaço rodeado de lonas plásticas embaçadas, ferramentas, pouca luz e espaços subdivididos. Há pelo menos três conflitos ocorridos neste cenário e todos são praticamente iguais em suas escolhas. Não são explorados espacialmente, se utilizam do mesmo truque da enganação em todos os embates e filmados com um plano quase fechado na cara dos personagens, não apresentando profundidade de campo e sofrendo do mal destas décadas de trabalhar no escuro para disfarçar efeitos visuais fracos. É possível prever exatamente o que irá acontecer quando estamos vendo pela 3ª vez a mesma garagem como palco de um balde de sangue escorrido.
Quando o longa se volta somente para o texto, é extremamente pobre por não articular o que esse jogo de gato e rato à procura da identidade secreta do assassino tem de maior virtude. Não há indecisões em relação aos suspeitos, muito menos as viradas de mesa que avançam a narrativa. E especialmente quando tenta olhar para si e explorar a auto referência já conhecida nos originais. Quer por que quer se apoiar na nostalgia, trazer os antigos conhecidos, mas dar a eles quando pouco, quase nada.
E tudo piora ao propor a atual e incessante discussão sobre inteligência artificial e usar de artifício para inserir o questionamento da veracidade do que é visto. Mas quando realmente nem isso o diretor parece ter interesse, é mais uma ponta que não se faz relevante dentro do seu escopo. Mesmo tendo uma jornalista como uma das principais coadjuvantes, esse debate não chega a lugar algum.
“Pânico” demonstra seu declínio a cada filme. Parece ter se esgotado da fórmula da metalinguagem e rir de si mesmo, para atender um público que está mais interessado na nostalgia pela nostalgia, em jogar os queridinhos na tela e carregar por algum tempo até que se canse.
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