Cinema

Por que mentimos? A psicologia explica com 5 filmes sobre a mentira!

13 de abril de 2022

Por Rebecca Ferreira Carvalho

Afinal por que as pessoas mentem? O que nos faz mentir? Desde crianças entendemos que mentir pode “crescer o nariz” como na história de Pinóquio (1940), mas mesmo assim todos nós já falamos alguma mentira uma vez ou outra. Por que será que a mentira está tão presente na vida humana? O ato de mentir pode ser algo banal como também pode gerar um hábito deteriorando nossa vida e convívio social.

Alguns estudos da Psicologia Evolucionista (Vasconcellos, et al, 2019) sugerem que a capacidade de mentir veio como uma ação pró-social que está relacionada às habilidades de comunicação amplas e complexas do Homo sapiens. Alguns autores (Castilho, 2011) acreditam que a mentira é um ato instintivo e funciona como uma arma de preservação social.

O que isso indica? A mentira é muito mais complexa que a mera ideia de “oposto da verdade” e pode estar interligado a vários fatores interpessoais, sociais e até psíquicos.

O Dia da Mentira, 1º de abril, já passou, mas venha entender um pouco mais sobre porque as pessoas desenvolvem esse hábito, exemplificado em cinco filmes sobre a mentira.

1) “O Mentiroso” (1997)

Clássico filme com Jim Carrey na pele de um advogado mentiroso que terá de passar 24 horas sem mentir para realizar o pedido de aniversário de seu filho Max (Justin Cooper). No filme podemos observar como muitas vezes acreditamos estar sendo forçados a mentir devido as pressões do trabalho ou sociais.

O filme está disponível na Netflix.

2) “A Mentira” (2010)

A mentira pode estar associada a uma aceitação social comum principalmente na adolescência. Na comédia “A Mentira”, a jovem Olive (Emma Stone) é uma adolescente virgem que, para se exibir, inventa para a amiga da escola que teve relações sexuais. A história se espalha e a adolescente começa a inventar ainda mais mentiras em busca de popularidade.

3) “Esposa de Mentirinha” (2011)

As mentiras podem ser feitas em busca de algum ganho ou na impossibilidade de confessar seus verdadeiros sentimentos. No filme, Danny (Adam Sandler) finge ter um casamento problemático para conseguir sair com outras mulheres e elas não se apegarem. Certo dia, Danny conhece Palmer (Brooklyn Decker), e pede que sua melhor amiga, a mãe solteira Katherine (Jennifer Aniston), finja ser casada com ele para despertar o interesse da jovem. As mentiras vão só aumentando, mas no final ele descobre seus reais sentimentos.

O filme está disponível na Netflix.

4) “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas” (2003)

As mentiras podem ser mecanismos de defesa da nossa mente para nos preservar de passados dolorosos ou reformular falhas da memória de longo prazo. Nossa mente pode distorcer lembranças como forma de nos proteger, aparecendo em diversos momentos de nossa trajetória, como os provenientes da própria idade avançada.

No filme, Ed Bloom (Albert Finney) conta as histórias de aventuras que viveu quando era mais jovem. O mesmo mescla realidade com fantasia fascinando todos que as ouvem, com exceção de Will (Billy Crudup), filho de Ed.

O filme é um ótimo exemplo para podemos entender como a “mentira” pode não ser de todo “mal”, pois é da imaginação que surge a ficção e muitas vezes a própria mentira pode não ser consciente do sujeito (ou será que é?)

5) “VIPS – Histórias Reais de um Mentiroso” (2010)

Por fim, a mentira pode ser uma compulsão sem freios e sem limites, mais real que qualquer filme e estar muito mais presente em nós que imaginamos.

Um dos maiores mentirosos de todos os tempos, Marcelo Nascimento da Rocha revela detalhes, nesse documentário brasileiro, seus golpes, além de cenas de bastidores da criminalidade e da corrupção política no Brasil.

O documentário está disponível na íntegra no youtube.

Referências:

CASTILHO, W. Mentira, um rosto de muitas faces. São Paulo: Matrix. 2011
VASCONCELLOS, Silvio José Lemos (et al) Understanding Lies Based on Evolutionary Psychology: A Critical Review. Trends Psychol., Ribeirão Preto, vol. 27, nº 1, p. 141-153 – March/2019

(*) Rebecca Ferreira Carvalho é psicóloga com especialização em “Psicanálise e contos de fadas”. É mestranda em psicologia pela PUC-Campinas. Apaixonada por filmes, séries, jogos e animes. Escreve sobre como essas mídias se entrelaçam com nossa vida e psiquê.

Foto acima: cena de “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas” (reprodução)

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