Por Mariana de Castro
Na quarta-feira, dia 7 de abril, foi comemorado nacionalmente o Dia do Jornalista. A data criada pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em 1931, é uma homenagem a Giovanni Battista Libero Badaró, jornalista, político e médico italiano radicado no Brasil, que foi personagem importante na luta pela independência brasileira da monarquia portuguesa em 1831, após D. Pedro I abdicar de seu trono em favor de seu filho, D. Pedro II.
Cem anos depois, em 1931, o dia também se tornou a data de fundação da própria ABI, instituição responsável por auxiliar e proteger o fazer jornalístico até os dias atuais.
Para marcar a data, o Campinas.com.br traz uma lista com 10 filmes e documentários (e mais duas dicas bônus!) que tem o jornalismo como tema principal para interessados em conhecer mais sobre o dia a dia da profissão, e que dá para curtir do sofá de casa!
Confira abaixo:
Filme obrigatório em todas as listas de cinema, é considerado por críticos, diretores e acadêmicos de cinema como o melhor filme de todos os tempos, tanto por suas técnicas inovadoras para a época quanto pelo roteiro genial de Herman Mankiewicz (aliás, o filme “Mank”, indicado ao Oscar 2021 que está disponível na Netflix, conta a história da luta do roteirista contra Welles pelo crédito do texto do grandioso longa).
“Cidadão Kane” é uma biografia disfarçada de William Randolph Hearst, representado no personagem Charles Foster Kane (interpretado pelo próprio Welles). Na história, acompanhamos tanto sua ascensão quanto a da imprensa estadunidense, além, também, das questões íntimas deste homem, investigadas por um jornalista que pesquisa a vida de Kane.
O filme está atualmente disponível no Youtube e no Google Play por R$ 7,90. Vale o seu play!
Mais um dos clássicos indispensáveis para o jornalismo, “Todos os Homens do Presidente” é baseado em um livro de mesmo nome lançado em 1974, de Bob Woodward e Carl Bernstein.
O filme acompanha a dupla de jornalistas dos anos 1970 que trabalha no The Washington Post. Os profissionais investigam o escândalo de Watergate, descobrindo todo o esquema de lavagem de dinheiro e corrupção que levaria à renúncia do presidente Richard Nixon.
O longa mescla cenas reais com imagens dirigidas por Pakula, o que contribui para o ar documental da película; foi muito premiado e recebeu oito indicações para o Oscar de 1977, ganhando metade, além de nove indicações ao Bafta e quatro indicações ao Globo de Ouro do mesmo ano.
“Todos os Homens do Presidente” é uma aula de jornalismo, principalmente quando pensamos em como o jornalista se porta frente a um escândalo político dessa dimensão e em sua responsabilidade com a sociedade e a verdade.
Está disponível no Youtube e no Google Play por R$ 7,90.
Mais um favorito da crítica! “Spotlight” foi indicado a 6 Oscars em 2016 e levou dois para casa: melhor roteiro original e, o mais importante da noite: melhor filme.
O longa segue um caso real e polêmico envolvendo uma série de casos de pedofilia envolvendo padres, que causaram um escândalo mundial após serem encobertos e arquivados pela igreja católica.
O filme é indispensável para quem quer entender mais um pouco sobre a rotina de uma redação e o dia a dia de um jornalista investigativo. A equipe do jornal, que fez as descobertas, o “Boston Globe”, recebeu o Prêmio Pulitzer de Serviço Público em 2003 (dado para trabalhos feitos com excelência na área jornalística, musical e da literatura) pela investigação.
“Spotlight – Segredos revelados” está disponível também no Youtube e no Google play por R$ 5,90.
Outro filme de jornalismo investigativo baseado em uma história real, “Zodíaco” segue os jornais San Francisco Chronicle, San Francisco Examiner e Vallejo Times-Herald, em 1969, que, após receberem três cartas em código, entram em uma caçada intensa para descobrir quem é o assassino por trás delas, batizado de “Assassino do Zodíaco”.
O longa é um ótimo suspense, que apesar de extenso, consegue manter um ritmo instigante; as atuações de Jake Gyllenhaal, Mark Ruffalo e Robert Downey Jr. (no papel do jornalista Paul Avery) estão incríveis e convincentes. O premiado diretor David Fincher também tem méritos nesse seu trabalho, mostrando que sabe dirigir um bom filme policial e jornalístico — Fincher é também diretor de “Mank”, carro chefe da Netflix no Oscar, filme sobre Herman Mankiewicz, roteirista de “Cidadão Kane”, que citamos na nossa primeira dica!
Após o filme você ficará ainda mais curioso ou curiosa em saber mais sobre a história do “Assassino do Zodíaco”!
O filme está disponível no Globoplay para assinantes e no Youtube e no Google Play por R$ 7,90.
Drama baseado em livro homônimo de Kathryn Stockett, “The Help” ou “Histórias Cruzadas”, em português, traz a história de Eugenia “Skeeter” Phelan, interpretada por Emma Stone, uma jornalista recém-graduada em 1962, que, ao voltar para sua cidade natal, começa a investir em seu sonho: se tornar uma escritora. Skeeter então começa a narrar em seu livro a relação entre mulheres negras e mulheres brancas que ela observa na sociedade que a cerca, com a ajuda de duas empregadas negras que ela encontra: Minny Jackson (Octavia Spencer) e Aibileen Clark (Viola Davis).
O filme tem um ótimo ritmo e é impossível que até o final você não vai se apegar às três protagonistas que dividem a tela com uma química incrível! O longa toca em assuntos densos como racismo, desigualdade social e machismo, e ainda mostra como o jornalista pode ocupar um papel ativo dentro das mudanças sociais.
É daqueles para assistir com a caixa de lenços próxima!
“Histórias Cruzadas” pode ser assistido pelo streaming do Telecine.
Temos aqui no meio da lista o que seja, talvez, o filme mais pesado dos dez. “O Abutre” traz Jake Gyllenhaal como Lou Bloom, um rapaz que vê nos telejornais sensacionalistas de Los Angeles uma forma de sair da vida de pequenos furtos que realizava. Bloom passa então a ser um cinegrafista independente, filmando acidentes, assassinatos e casos violentos — quanto mais gráficos, mais ele lucra.
O filme lança uma reflexão sobre como são trabalhadas as notícias policiais dentro do jornalismo: até que ponto é informação e quando se torna apenas um entretenimento mórbido ou um espetáculo da violência.
Além disso, o filme tem uma estética sombria e estéril, e o ator cresce com o papel durante o desenvolvimento do personagem. O filme recebeu uma indicação ao Oscar de 2015 por melhor roteiro original, perdendo para o também ótimo “Birdman”.
Para conferir “O Abutre” você pode ir no streaming da HBO ou então no Youtube ou Google Play por R$ 2,90.
Agora vamos com uma dobradinha, mas calma, não vamos roubar na contagem! Trazemos duas versões do mesmo filme: a sueca e a resultante da parceria entre Estados Unidos, Suécia, Reino Unido e Alemanha.
Os dois filmes se baseiam na mesma obra, a trilogia do escritor sueco Stieg Larsson. Na trama, Mikael Blomqvist é um jornalista investigativo e dono da revista Millennium, e está em uma fase delicada respondendo a um processo por calúnia e difamação; Blomqvist aceita investigar um caso não solucionado de desaparecimento a pedido do tio da vítima, Henrik Vanger. O que o jornalista não esperava é a aliança com Lisbeth Salander, investigadora particular e hacker, que o leva a outras conexões mais complexas e perigosas do caso.
A versão sueca é mais lenta e imersa na cultura do país, centrada no desenvolvimento do suspense, enquanto a híbrida, pensada como blockbuster, de Fincher, tem ótimas cenas de ação e efeitos. As duas, porém, mostram bem o processo de apuração jornalística, assim como as implicações políticas e sociais que perpassam o trabalho do jornalista.
A versão sueca não está disponível em nenhuma plataforma no momento, enquanto a de 2011 pode ser conferida na Amazon Prime por assinatura ou então por R$ 19,90 tanto no Youtube quanto no Google Play.
Pensando em um respiro para a lista de jornalismo investigativo e policial, temos aqui a comédia dramática “Quase famosos”, que conta a história de William Miller (o alterego do diretor Cameron Crowe), um garoto de 15 anos apaixonado por rock’n’roll que consegue emprego na Rolling Stone, a revista musical mais conceituada dos Estados Unidos — e talvez, do mundo? William passa, então, a acompanhar de perto toda a cena do rock dos anos 1970, enquanto escreve sobre os shows e seus dias na estrada com a banda Stillwater, em sua primeira turnê.
“Quase Famosos” é um filme gostoso de se assistir, daqueles que facilmente te cativa e se torna um de seus favoritos, tem aquele sentimento nostálgico e delicado, em grande parte pela sensibilidade com a qual o diretor olha o próprio passado.
Quando falamos de jornalismo musical, “Quase Famosos” é a pedida perfeita, importante também para conhecer o trabalho jornalístico de Crowe que ainda continua sendo contribuinte da revista Rolling Stones.
Se isso ainda não te convenceu, a trilha sonora é um detalhe a parte com músicas que passam por todos grandes nomes dos anos 1970, de Led Zeppelin, The Who e David Bowie até Elton John e Simon & Garfunkel.
O filme pode ser encontrado por R$ 5,90 no Youtube e no Google Play.
Não poderíamos esquecer de colocar ao menos um da grande lista de documentários brasileiros sobre jornalismo. O escolhido para representar as produções do nosso país foi “O Mercado de Notícias”, de Jorge Furtado.
O documentário é baseado em uma peça do século XVI do dramaturgo inglês Ben Jonson, que já na época fazia críticas sarcásticas quanto à atuação pouco imparcial da imprensa britânica.
As informações manipuladas, os subornos, as notícias tendenciosas, o jornalismo submisso ao capital, o sensacionalismo, o tratamento infantil e desonesto com o leitor apresentados no documentário são todos exemplos de condutas que devem ser abandonadas para a construção de um jornalismo ético e verdadeiramente informativo; é encarando o lado mercadológico da mídia que é mostrado e satirizado, que podemos delinear um jornalismo mais íntegro e orientado pela verdade.
A montagem entre ensaios, teatro e depoimentos de jornalistas mesclam o estilo do documentário que ao mesmo tempo em que aproxima os séculos entre a obra de Ben Jonson e o jornalismo atual, também considera o novo meio que engloba e se funde ao jornal: o meio digital.
O documentário está em íntegra e gratuitamente no Youtube através do canal casacinepoa. Vale a pena conferir!
O fim do nosso top 10 é outro clássico, “A Montanha dos Sete Abutres”, um filme antigo, mas ainda muito atual. Na trama, Kirk Douglas é Tatum, um jornalista inescrupuloso e envaidecido por seu ego e ambição, em busca da reportagem de sua vida. A caminho do que parecia apenas mais uma cobertura cotidiana, Tatum encontra com Leo Minosa (Richard Benedict), homem que ficou preso em uma montanha quando saiu em uma busca por relíquias. Tatum, então, se aproveita da situação para ter o que para ele é a chance de sua carreira.
Assim como “O Abutre”, de 2014, este também é um longa importante para quem quer compreender e discutir a espetacularização e a fetichização do sofrimento, bem como a manipulação midiática e, neste caso, a representação de um jornalista antiético. Billy Wilder neste seu filme (o mais político dentre eles) traça um limite em forma de crítica, entre o que é de fato informativo e o que é uma exposição gratuita e vazia de significado.
“A Montanha dos Sete Abutres” pode ser encontrado gratuitamente na internet.
Para completar nossa lista de filmes, nada mais justo do que lembrar do jornalista mais querido da cultura pop: Clark Kent, ou seria melhor Kal-El? O jornalista tímido que trabalha para o “Planeta Diário” tem nesse filme sua história de origem: sua chegada à Terra de Krypton, sua paixão por Lois Lane, também jornalista, e seu embate com Lex Luthor.
O filme é considerada a primeira grande produção de um super-herói para o cinema, e o intérprete do Superman, Christopher Reeve, ficou marcado na história como o melhor ator a usar o uniforme azul.
Kal-El sendo Superman ou Clark Kent, herói ou repórter do “Planeta Diário”, está sempre trabalhando para a sociedade — assim como os jornalistas.
O filme pode ser alugado no Youtube por R$7,90.
Encerrando nossas dicas para esse 7 de abril, deixamos aqui a série “Scandal”, protagonizada por Kerry Washington no papel de Olivia Pope, personagem baseada em Judy Smith, que foi assessora de imprensa no governo do presidente norte-americano George H.W. Bush.
A série tem criação de Shonda Rhimes, também autora e produtora de outras séries de sucesso, como “Grey ‘s Anatomy”, “How to Get Away With Murder e a atual “Bridgerton”.
Em “Scandal”, Olivia Pope é dona da “Olivia Pope & Associates” (OPA), empresa de gerenciamento de crises em Washington, DC. A série nos traz um lado jornalístico pouco abordado nas telinhas: a assessoria de imprensa — um instrumento de comunicação desenvolvido para auxiliar a gestão de empresas e figuras públicas; ao longo das 7 temporadas, acompanhamos Olívia gerenciando polêmicas da política norte-americana, dentre outros obstáculos na Casa Branca, ao mesmo tempo em que tem sua ascensão dentro de sua profissão.
A série está atualmente disponível apenas no serviço de Streaming da Hulu.
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Foto: reprodução do filme “Cidadão Kane”
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